O ministro da Defesa moçambicano admitiu hoje desafios para proteger as fronteiras e travar o fluxo logístico de grupos terroristas, reconhecendo que ataques “esporádicos” em distritos da província de Cabo Delgado ainda condicionam a vida das populações.
© Lusa
“Constitui desafio do Governo o reforço de medidas de vigilância e proteção das fronteiras estatais com vista a neutralizar o fluxo da cadeia logística dos terroristas, bem como prevenir a imigração ilegal, incluindo o tráfico e contrabando associado ao crime organizado e transnacional”, disse o ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, no parlamento, em resposta a perguntas dos deputados.
Chume reconheceu desafios prevalecentes no campo operacional, particularmente em alguns distritos em que ainda ocorrem ataques terroristas de forma esporádica, nomeadamente Macomia, Muidumbe e Mocímboa da Praia, Cabo Delgado, norte do país, os quais, “algumas vezes, têm condicionado a circulação normal de pessoas e bens”.
“O Governo reconhece, igualmente, ser desafio a provisão de recursos para sustentar com a eficácia necessária o esforço dos milhares de concidadãos, sobretudo jovens que sacrificam as suas vidas em prol da defesa desta pátria”, disse o ministro.
Para fazer face aos ataques, acrescentou, estão em cursos abordagens combinadas que incluem reforço na formação dos membros das Forças de Defesa e Segurança, além da mobilização de recursos para garantir a capacidade logística, a mobilidade das forças, a vigilância e contravigilância, incluindo a condução de operações militares conjuntas no âmbito bilateral.
“Em face da ocorrência do fenómeno terrorismo em algumas regiões da província de Cabo Delgado, o Governo está consciente do compromisso com o projeto de reforçar o treinamento especializado, a modernização e apetrechamento das Forças de Defesa e Segurança, no geral e de forma particular, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, para continuarem a cumprir com zelo a sua nobre missão de defesa da pátria e da soberania nacional”, disse o ministro da Defesa.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou 11 eventos violentos nas duas últimas semanas, 10 envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram nove mortos, elevando para 6.527 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da ACLED, com dados de 06 a 19 de abril, dos 2.356 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.184 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

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