Em entrevista ao DE, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, afirma que cerca de 95% das necessidades financeiras do plano já estão asseguradas através do apoio de parceiros. O objectivo passa por apoiar as famílias afectadas, recuperar áreas produtivas e reduzir o impacto das perdas já registadas.
A produção agrária da campanha 2025-26 decorre sob forte pressão climática, depois de chuvas intensas e inundações terem afectado várias províncias, com destaque para Maputo, Gaza, Sofala, Manica, Tete e Zambézia. De acordo com o ministro, os fenómenos destruíram culturas agrícolas, infra-estruturas produtivas e meios de subsistência de milhares de famílias que dependem da agricultura e da pesca.

Questionado sobre o impacto das cheias no cumprimento das metas de produção agrícola, Roberto Albino reconheceu que os eventos climáticos comprometeram uma parte significativa da produção, sobretudo nas zonas mais vulneráveis. “É claro que a primeira parte da campanha foi bastante afectada”, afirmou o governante, acrescentando que os relatórios oficiais apontam para prejuízos superiores às estimativas iniciais das autoridades.
Além das perdas de produção, o Executivo contabilizou impactos significativos nos sectores pecuário e pesqueiro. Dados apresentados pelo ministro indicam que mais de 458 mil animais foram afectados, cerca de 995 mil alevinos perdidos e 120 embarcações destruídas pelas cheias. Aproximadamente 335 mil famílias viram igualmente comprometida a sua base de produção e rendimento.
Segundo Roberto Albino, mais de 450 mil hectares de culturas agrícolas foram afectados ou totalmente perdidos devido às cheias registadas entre finais de 2025 e o início deste ano. O governante admitiu que os danos colocaram uma forte pressão sobre as metas definidas pelo Executivo para a campanha agrária, que previa aumentar a produção de cereais e reforçar a soberania alimentar do País.
Apesar do cenário adverso, o ministro garantiu que o Governo avançou com medidas de resposta imediata para evitar o agravamento da insegurança alimentar. Entre as acções implementadas estão programas de distribuição de ‘kits’ agrícolas, sementes e outros insumos destinados aos produtores afectados, numa tentativa de recuperar a produção durante a segunda época agrícola.
“A recuperação está a ser feita agora na segunda época”, explicou o governante, defendendo que o apoio prestado aos produtores está a permitir retomar as actividades produtivas e recuperar parte das perdas registadas nos primeiros meses da campanha.
Roberto Albino acrescentou ainda que a resposta de emergência implementada pelo Executivo poderá reduzir o impacto global das cheias nos resultados finais da produção nacional.
Governo aposta em resiliência climática para proteger a produção
“Tenho a certeza de que, no final, os números da produção não ficarão muito abaixo daquilo que tínhamos projectado”, declarou o ministro, mostrando-se optimista quanto ao desempenho final da campanha agrária, apesar das dificuldades provocadas pelas cheias e das perdas registadas em várias zonas do País.
Paralelamente às medidas de emergência, o Executivo disse estar a reforçar os mecanismos de resiliência climática para responder a fenómenos extremos cada vez mais frequentes. Roberto Albino recordou que o Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025-29 prevê acções ligadas à adaptação climática, à protecção da biodiversidade e à promoção de uma transição ambientalmente sustentável no sector agrário.
No âmbito dos compromissos internacionais assumidos por Moçambique, o governante revelou ainda que o País está a finalizar a revisão da sua Contribuição Nacionalmente Determinada, no quadro do Acordo de Paris. Segundo explicou, o processo deverá permitir a mobilização de novos investimentos internacionais para o sector agrário, numa altura em que as mudanças climáticas continuam a representar uma das maiores ameaças à segurança alimentar nacional.
“Tenho a certeza de que, no final, os números da produção não ficarão muito abaixo daquilo que tínhamos projectado”
Roberto Albino
A campanha agrária 2025-26 foi lançada em Novembro do ano passado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, na província de Sofala. Entre as principais metas de produção definidas destacam-se 3,4 milhões de toneladas de cereais, o que representa um aumento de 7%, e 929 mil toneladas de leguminosas, com destaque para o feijão-manteiga.
O plano prevê ainda a produção de mais de dez milhões de toneladas de raízes e tubérculos, com crescimento de 5% na mandioca, além de 180 mil toneladas de castanha de caju, correspondendo a um acréscimo de 13%. As metas incluem igualmente um aumento de 5% no efectivo bovino e de 26% na produção de ovos, bem como a expansão da produção de soja, considerada essencial para a avicultura nacional.(DR)

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