Por Quinton Nicuete
Um homem foi linchado e queimado até à morte na tarde de quinta-feira, na aldeia de Nnaua, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, por alegadamente ter assassinado um jovem motociclista no dia anterior.
O caso teve início quando na quarta-feira, dois jovens da aldeia de Nnaua se dirigiam à sede do posto administrativo de Meza. No trajecto, encontraram um homem que se fez passar por cliente e pediu um serviço de mototáxi até à aldeia de Nacoja. O valor combinado terá convencido o motociclista a seguir sozinho com o suposto passageiro, deixando o colega para trás.
Segundo testemunhos locais, o passageiro, conhecido pelo apelido “Diploma” e frequentemente visto junto à ponte de Meza, abordou um estudante da Escola Secundária de Mariri que trabalhava como taxista informal. Ao chegarem a uma zona de mata entre Meza e Nacoja, o jovem foi assassinado com o objectivo de o suspeito se apropriar da motorizada.
Mais tarde, ao tentar vender a motorizada em aldeias vizinhas, o suspeito foi reconhecido por populares, capturado e levado até à aldeia de origem da vítima. Aí, foi linchado e queimado em plena via pública, perante dezenas de residentes, numa acção não comunicada previamente às autoridades nem à família do falecido.
Este é o terceiro caso de justiça popular registado na região, onde outros dois indivíduos foram mortos nos últimos meses por suspeitas de envolvimento em assaltos e furtos a bens da população.
Até ao momento, nenhuma detenção foi efectuada em ligação com o linchamento. Moradores locais terão ameaçado retaliar contra qualquer pessoa que identifique os responsáveis pela execução.
Um agente da Polícia da República de Moçambique, afecto ao posto policial de Meza, confirmou o sucedido sob anonimato e manifestou preocupação com a recorrência destes actos, que revelam uma crescente desconfiança nas instituições de justiça e na capacidade do Estado em garantir segurança nas zonas rurais.
A escalada de linchamentos em Ancuabe reflecte um ambiente marcado pela insegurança, fraca presença estatal e sensação de impunidade, exigindo uma resposta urgente e coordenada por parte das autoridades. Até ao momento, o governo do distrito ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Moz24h
