Diz o relatório global sobre a Situação Mundial das Crianças 2023 lançado ontem 20 de Abril em Nova Iorque.
Do relatório Moçambique segundo dados existentes indicam que quase 40% de crianças Moçambicanas menores de dois anos ainda carecem de serviços completos de vacinação.
Para resolver esta situação, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está a trabalhar com o Governo para reforçar o sistema de cuidados de saúde primários, reforçar os recursos humanos e a capacidade de resposta a catástrofes e assegurar a continuidade dos serviços no norte do país, apesar das perturbações causadas pelo conflito.
Ao mesmo tempo, graças aos esforços concertados pelo Governo, com o apoio das Nações Unidas, incluindo o UNICEF, e outros parceiros de cooperação, o País tem registado progresso e sucessos nas coberturas das campanhas de vaçinação contra a poliomielite e contra a cólera, sob a direcção do Ministério da Saúde (MISAU).
Moçambique atingiu 62 por cento da população com mais de 12 anos de idade com a vacinação COVID-19 que inclui a campanha de vacinação COVID-19 para adolescentes com 12-17 anos de idade, tendo completamente coberto 99 por cento do grupo alvo– um dos mais altos níveis de cobertura em África para a COVID-19 – e, recentemente, vacinou mais de 2,4 milhões de pessoas contra a cólera e 8,6 milhões contra a poliomielite. Portanto, constata-se, no País, a contínua e elevada confiança e a procura de vacinas, como demonstrado com as taxas de cobertura da COVID-19, das campanhas de vacinação contra a poliomielite e a cólera nos últimos dois anos.
Todavia, o País tem o 12º maior número absoluto de crianças com dose zero (uma criança que nunca recebeu imunização) a nível mundial. Sem acção, as taxas de cobertura pré-pandemia só serão atingidas em 2040.
Tendo em conta a necessidade urgente, o Programa Alargado de Vacinação (PAV) do MISAU desenvolveu um Plano de Recuperação para os Serviços de Vacinação de Moçambique para proporcionar uma visão unificada para alcançar as crianças que falharam doses de vacina no passado recente e criar um sistema mais forte de cobertura de vacinação a longo prazo para alcançar todas as crianças.
Três rondas de vacinação específicas com todas as vacinas de rotina para salvar vidas estão planeadas para 2023 visando reduzir o número de crianças com menos de cinco anos que não foram vacinadas durante o período 2019-2022. A intensificação da vacinação está em planificação a efectivar-se em todos os distritos das Províncias do norte e centro do país, onde, de acordo com a análise da situação, apresentam mais de 5.000 crianças de zero dose.
“As vacinas salvam vidas, e é importante que todas as crianças em Moçambique tenham acesso aos benefícios das vacinas. O UNICEF está a trabalhar em estreita colaboração com a ONU e parceiros da sociedade civil para apoiar o Governo de Moçambique a reforçar os sistemas de vacinas, assegurando que chegamos a todas as crianças, dando prioridade às mais vulneráveis.” disse Maria Luisa Fornara, Representante do UNICEF em Moçambique. “Investir no reforço dos cuidados de saúde primários e de sistemas de saúde robustos que possam atingir os mais difíceis de alcançar com serviços de qualidade será particularmente importante para alcançar o sucesso.” concluiu.
As comunidades com o maior número de crianças não vacinadas/ sub-vacinadas têm também baixo desempenho nos indicadores de Saúde e Segurança Ambiental (i.e. estado nutricional ou qualidade/cobertura de outros serviços p.e. água, saneamento e higiene nas unidades sanitárias) e são privadas de serviços abrangentes. Neste contexto, o UNICEF trabalha com outras agências da ONU e parceiros da sociedade civil para apoiar uma resposta integrada por parte do Governo que aborde todo o espectro das necessidades das crianças e das famílias. (Moz24h)