Sociedade Terrorismo/Guerra

Insurgentes usam alimentos roubados para conquistar apoio de civis em Cabo Delgado, diz pesquisador

Grupos insurgentes que actuam em Cabo Delgado estarão a distribuir produtos alimentares alegadamente roubados durante ataques a viaturas de transporte de mercadorias para conquistar a confiança e a colaboração de civis vulneráveis, segundo o pesquisador comunitário Abudo Gafuro Manana, presidente da Associação Kuendeleya.

De acordo com a Zumbo FM, que divulgou as declarações do pesquisador, os grupos armados estarão a aproveitar as dificuldades económicas e a insegurança alimentar enfrentadas por algumas comunidades, sobretudo na região costeira da província, para procurar estabelecer relações de dependência com os residentes.

Durante a entrevista, Manana afirmou que a oferta de alimentos poderá constituir uma estratégia de aproximação às populações que enfrentam dificuldades para garantir a alimentação das suas famílias.

“A maior parte da zona costeira […] o grupo rebelde compra a consciência dos cidadãos civis”, declarou, segundo a Zumbo FM.

O pesquisador explicou que os produtos alimentares distribuídos seriam provenientes de assaltos a camiões e a outras viaturas que transportam mercadorias, incluindo ao longo da estrada N380.

Segundo o relato apresentado, depois de se apoderarem dos produtos, os insurgentes entregariam parte dos alimentos às famílias em situação de maior vulnerabilidade, incluindo arroz, óleo alimentar e outros cereais.

Na interpretação de Manana, a distribuição não se limita à entrega de bens essenciais, podendo também servir para conquistar a lealdade de alguns residentes e facilitar a movimentação dos grupos armados nas comunidades.

“Acabam oferecendo à população […] para comprar a sua lealdade”, afirmou, de acordo com a Zumbo FM.

O presidente da Associação Kuendeleya alegou ainda que alguns civis poderão ser expostos a situações de perigo durante as operações dos insurgentes, incluindo a eventual utilização como escudos humanos nos confrontos com as forças de segurança. Contudo, as declarações divulgadas não apresentam provas independentes que permitam confirmar a dimensão desta prática ou identificar os alegados casos.

Manana considera que a vulnerabilidade económica das populações deve ser levada em conta nas estratégias de prevenção do extremismo violento. Na sua perspectiva, a resposta à insurgência deve combinar operações de segurança com medidas de protecção social e criação de oportunidades económicas para as comunidades afectadas.

O pesquisador defende igualmente o reforço da segurança nas principais vias de transporte de mercadorias e uma maior coordenação entre as autoridades e as organizações da sociedade civil, com vista a reduzir a exposição das populações à influência dos grupos armados.

As declarações atribuídas ao pesquisador levantam questões sobre a possível utilização de alimentos provenientes de assaltos como instrumento de influência social em Cabo Delgado. No entanto, a origem dos produtos, os objectivos da sua distribuição e a alegada utilização de civis pelos insurgentes carecem de confirmação independente.

A informação é baseada nas declarações de Abudo Gafuro Manana divulgadas pela Zumbo FM, não tendo sido apresentada, no material disponível, uma confirmação independente das alegações.

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