AÍndia considera que o aumento do fornecimento de gás natural proveniente de Moçambique poderá desempenhar um papel importante no reforço da sua segurança energética de longo prazo, numa altura em que os mercados internacionais continuam expostos a riscos geopolíticos e a potenciais perturbações nas cadeias globais de abastecimento.
De acordo com o portal Telegraph India, a posição foi manifestada pelo ministro indiano do Petróleo e Gás Natural, Hardeep Singh Puri, que identificou Moçambique como um dos parceiros estratégicos na política de diversificação das fontes de energia adoptada por Nova Deli.
Segundo o governante, a estratégia energética da Índia passa por reduzir a dependência tradicional dos fornecedores do Golfo Pérsico, através do reforço das importações provenientes de outros mercados produtores de petróleo e gás natural. “Volumes adicionais de gás provenientes de Moçambique irão reforçar ainda mais a segurança energética da Índia”, afirmou Hardeep Puri numa entrevista.
O ministro acrescentou que a Índia tem vindo a trabalhar com diversos parceiros internacionais para assegurar a estabilidade dos fluxos energéticos e responder aos desafios decorrentes da crescente volatilidade dos mercados globais. As declarações surgem num momento em que a Índia procura garantir o abastecimento necessário para sustentar o crescimento da sua economia e responder ao aumento da procura interna de energia, num dos mercados consumidores com maior expansão a nível mundial.
Moçambique possui algumas das maiores reservas de gás natural descobertas nas últimas décadas, concentradas sobretudo na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado. Os projectos em desenvolvimento têm vindo a posicionar o País como um dos futuros fornecedores relevantes de gás natural liquefeito para os mercados asiáticos e europeus.
Para Nova Deli, a diversificação geográfica das fontes de abastecimento constitui um elemento central da sua estratégia energética. O objectivo é reduzir a exposição a eventuais interrupções no fornecimento causadas por conflitos, tensões geopolíticas ou constrangimentos logísticos em rotas marítimas estratégicas.
Durante a entrevista, Hardeep Puri referiu que a Índia dispõe actualmente de reservas energéticas equivalentes a entre 76 e 80 dias de consumo, incluindo reservas estratégicas de petróleo, inventários das refinarias e stocks comerciais. O governante considerou que o País está preparado para enfrentar eventuais perturbações temporárias nas cadeias de abastecimento internacional, incluindo cenários de instabilidade em rotas marítimas de importância estratégica para o comércio mundial de energia.
Ainda assim, advertiu que uma interrupção prolongada das principais rotas comerciais internacionais teria impactos significativos sobre a economia global, independentemente da capacidade de resposta dos países individualmente. Além da diversificação das importações, a Índia tem vindo a investir na expansão da sua capacidade de refinação, no aumento da utilização de gás de petróleo liquefeito (GPL) e no reforço das actividades de exploração e produção doméstica.
Segundo o ministro, o País opera actualmente 24 refinarias e continua a expandir a sua infra-estrutura energética para responder ao crescimento da procura interna. As declarações reforçam a crescente importância estratégica de Moçambique no mercado internacional de gás natural, numa fase em que vários projectos energéticos nacionais procuram consolidar a sua presença junto dos principais centros consumidores da Ásia.

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