Sociedade

AFINAL, QUEM ESTÁ CERTO E QUEM ESTÁ ERRADO?

 

Por: Castro Cleiton

Moçambique vive uma crise silenciosa, mas mortal, nas suas estradas. Do início deste ano até agora, mais de 400 vidas foram perdidas em acidentes de viação. São números frios, mas que escondem histórias de sonhos interrompidos, famílias desfeitas e projectos de vida ceifados de forma brutal. Diante desta realidade, impõe-se uma pergunta: afinal, quem está certo e quem está errado? Ou será que todos estamos certos? Ou, pior ainda, todos estamos errados?

As opiniões divergem. Uns apontam o dedo às estradas degradadas e à precária sinalização. Outros acusam a corrupção dos agentes de trânsito, que muitas vezes fecham os olhos mediante um suborno. Já as autoridades defendem que a culpa maior reside nos condutores, com práticas como excesso de velocidade, fadiga, condução sob efeito do álcool e sobrelotação dos transportes.

Mas será que basta nomear culpados? Será que esta dança de acusações, onde cada um aponta o dedo ao outro, resolve o problema? O que realmente está a ser feito para travar a tragédia que se repete todos os dias?

O que parece evidente é que a responsabilidade não pode ser unilateral. Sim, o governo tem o dever de reabilitar estradas, investir em sinalização e reforçar a fiscalização. Mas e os cidadãos? Não será verdade que muitos de nós, enquanto condutores ou passageiros, negligenciamos regras básicas de segurança?

E há ainda uma ferida que poucos têm coragem de tocar: a corrupção no processo de emissão de cartas de condução. Como entender que alguém que nunca entrou numa sala de aulas de condução, que nunca aprendeu a fundo as regras do código de estrada, possa, com algum dinheiro no bolso, obter legalmente uma carta? Como não esperar tragédias quando pessoas despreparadas assumem o volante de veículos que transportam dezenas de vidas?

No fundo, este não é um problema apenas das autoridades de trânsito. É um problema colectivo, que exige mudança cultural, ética e de comportamento. O Estado precisa criar condições, mas nós, cidadãos, precisamos assumir que a educação rodoviária começa em cada um de nós. Não basta culpar, é necessário transformar.

Afinal, até quando vamos aceitar que mais de 400 mortes em menos de um ano sejam normalizadas em estatísticas? Até quando vamos apenas lamentar nos jornais, nas rádios e nas redes sociais, sem agir? Quantos sonhos mais terão de ser interrompidos para que a sociedade moçambicana acorde e diga: basta?

ST🛑P ACIDENTES 🖐🏾

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