Sociedade

Famílias rejeitam reassentamento em Metuge e questionam custo de vida longe de Pemba

Por Quinton Nicuete

O plano do Governo de retirar cerca de quinhentas famílias da zona de Chibuabuar, no bairro de Cariacó, município de Pemba, devido ao risco de deslizamento de terras, está a enfrentar resistência dos moradores, que contestam o local escolhido para o reassentamento: a aldeia de Naminaue, no posto administrativo de Mieze, distrito de Metuge.

Embora reconheçam o perigo de permanecer na área considerada de risco, vários chefes de família afirmam que a mudança poderá agravar as suas condições de vida, devido à distância entre o novo reassentamento e a cidade de Pemba, onde muitos trabalham e obtêm o sustento diário.

Mussa Magido considera que a transferência poderá comprometer o rendimento familiar.

“Trabalho em Pemba e recebo um salário mínimo. Se for viver em Metuge, como vou suportar os custos diários de transporte? O Governo quer salvar as nossas vidas, mas também deve pensar em como vamos sobreviver”, afirmou.

Ambrósio Bengala partilha da mesma preocupação e defende que a solução deve garantir não apenas segurança, mas também condições económicas para as famílias.

“Não basta construir casas. Precisamos de trabalhar. A maioria de nós depende da cidade de Pemba para viver.”

Já Amina Juma diz que muitas famílias ainda não estão convencidas a abandonar a zona onde vivem há vários anos.

“Temos medo dos deslizamentos, mas também temos medo da fome. Se formos para longe dos nossos empregos, quem vai sustentar os nossos filhos?”, questionou.

Em resposta às preocupações, o delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Marques Naba, assegurou que o local escolhido dispõe de condições básicas para acolher as famílias.

“Queremos que as pessoas vivam em condições dignas. No local onde vamos reassentar estas comunidades existe um centro de saúde, escola e sistema de abastecimento de água. Estamos, inclusive, a trabalhar com parceiros para ampliar esses serviços”, explicou.

O responsável reconheceu que o processo representa um desafio, mas insistiu que a prioridade é proteger vidas.

Questionado sobre o facto de algumas famílias anteriormente reassentadas terem vendido os terrenos atribuídos e regressado às zonas de risco, Marques Naba respondeu que essa situação está ligada ao comportamento individual.

“A missão do Governo é salvar vidas, não lidar com o comportamento humano. Quem decide regressar às zonas de risco assume uma responsabilidade que deverá ser tratada por outras instituições”, afirmou.

Enquanto o Governo prepara a retirada das famílias, os moradores insistem que o reassentamento deve ser acompanhado por soluções que garantam acesso ao emprego, meios de subsistência e transporte, sob pena de a mudança representar novos desafios sociais e económicos para quem já vive em situação de vulnerabilidade.

A decisão do Governo de retirar cerca de 500 famílias da zona de Chibuabuar surge na sequência do deslizamento de terra ocorrido a 23 de março de 2026, que provocou a morte de uma mulher grávida, do marido e do filho, soterrados enquanto dormiam na sua residência. Outras duas crianças sobreviveram ao incidente e receberam assistência médica no Hospital Provincial de Pemba.

O episódio expôs a vulnerabilidade da área às chuvas intensas e levou as autoridades a classificarem a zona como de elevado risco, avançando agora com o processo de reassentamento das famílias para locais considerados mais seguros. (Moz24h)

Leave feedback about this

  • Quality
  • Price
  • Service

PROS

+
Add Field

CONS

+
Add Field