Sociedade

Desabamento de terra deixa criança ferida em Chibuabuare: População denuncia aboandono

Foto: Estacio Valoi/Pemba City/Cabo Delgado
Foto: Estacio Valoi/Pemba City/Cabo Delgado

Por Quinton Nicuete

Uma criança ficou soterrada, esta segunda-feira, 21 de Julho de 2025, na sequência do desabamento de terra ocorrido na zona residencial de Chibuabuare, bairro de Cariacó, na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado. O incidente, que gerou pânico entre os moradores, é mais um alerta sobre as condições precárias e negligenciadas da área, considerada de alto risco para ocorrências do género.

Segundo relatos dos vizinhos, a criança brincava nas imediações da encosta quando parte do solo cedeu repentinamente, soterrando-a parcialmente. Foi retirada com vida graças à intervenção imediata de populares e, posteriormente, transportada ao Hospital Provincial de Pemba, onde encontra-se internada e a receber cuidados médicos.

A comunidade local denuncia o total abandono da zona por parte das autoridades municipais e provinciais, sublinhando a inexistência de serviços básicos essenciais como estradas, postos ou centros de saúde, e água potável. “Vivemos num lugar onde nem ambulância pode entrar com facilidade. Aqui não há estrada, não há hospital, nem sequer uma torneira pública. Temos que comprar água a 40 ou 50 meticais por bidão de 20 litros”, reclamou um dos residentes.

Os moradores afirmam que Chibuabuare só recebe atenção durante o período eleitoral, quando políticos aparecem prometendo melhorias que nunca se materializam. “Na campanha todos aparecem, abraçam, tiram fotos e prometem tudo. Passadas as eleições, esquecem que existimos”, desabafa uma moradora.

A área é conhecida pela sua geografia acidentada, com casas construídas em encostas instáveis, o que aumenta a vulnerabilidade a deslizamentos de terra, especialmente durante a época chuvosa. Apesar disso, medidas de prevenção e contenção de riscos nunca foram implementadas de forma eficaz.

A população exige intervenções urgentes por parte da edilidade e do governo provincial para garantir obras de estabilização do solo, construção de vias de acesso, bem como a instalação de infraestruturas básicas. “Não queremos só promessas, queremos acções concretas. Já perdemos muito e não podemos esperar que uma tragédia maior aconteça para só depois começarem a reagir”, reforça outro morador.

Até ao momento, a edilidade ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente. Enquanto isso, o medo permanece em Chibuabuare, onde viver entre a terra e o risco virou rotina. Moz24h

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