Tal como temos vindo a escrever nas últimas edições, quatro dos cinco aviões — nomeadamente dois Embraer E-190 e dois Bombardier Q-400 — adquiridos pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), sob os auspícios da Comissão de Gestão (CG), cuja missão é reestruturar e tirar do coma a chamada companhia de bandeira, continuam em terra devido a graves deficiências mecânicas, incluindo danos nos motores.
Enquanto isso, a CG, supervisionada por um Conselho de Administração (CA) composto por Tomás Matola, Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), por Agostinho Langa, PCA dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), e por Janfar Abdulai, PCA da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), gasta USD 3.142.808,62 por mês em aluguer de aviões a três companhias europeias, nomeadamente “Fly Air 41 Airways”, “Wind Rose” e “CemAir”, com valores inflacionados.
A informação consta do terceiro vector do relatório do Gabinete de Auditoria Interna (GAI) sobre o desempenho da LAM.Os custos distribuem-se em USD 2.808.423,08 relativos ao aluguer das aeronaves, acrescidos de encargos indirectos do modelo Wet Lease, uma vez que cada aeronave exige suporte logístico e administrativo das tripulações, pilotos e técnicos estrangeiros do fornecedor, totalizando cerca de 21 profissionais por equipamento.
Isto implica despesas com hospedagem, logística e ajudas de custo diárias a 63 funcionários estrangeiros, gerando uma despesa administrativa fixa mensal não planeada de USD 334.384,62. A Direcção de Aprovisionamento e Compras (DAC) disse aos auditores que tinha recebido “ordens superiores directas do CA para avançar com quaisquer operadores europeus disponíveis, independentemente dos preços onerosos praticados”.

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