Economia

Jornalistas impedidos de cobrir evento financiado pela TotalEnergies em Pemba geram indignação

Por Quinton Nicuete
Um grupo de jornalistas convidados formalmente para cobrir a cerimónia de homologação de bolsas do Programa de Empoderamento Pessoal e Académico (PEPA), financiado pelo projecto Mozambique LNG, da TotalEnergies, foi impedido de realizar a cobertura do evento na tarde desta quinta-feira (21), na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado.
O evento, organizado pela Tsemba Life Coaching, Consultoria e Serviços (Tsemba Life CCS), em parceria com o Instituto Industrial e Comercial de Pemba, previa a homologação de 50 bolsas de estudo na área de Gastronomia e Artes Culinárias.
Os órgãos de comunicação social haviam recebido convites oficiais enviados no dia anterior, solicitando a presença das equipas de reportagem para cobertura institucional da cerimónia.
(Foto do convite)
Contudo, já no local do evento e momentos antes do início da actividade, representantes da TotalEnergies solicitou e comunica aos jornalistas presentes que, por “orientações superiores” associadas à TotalEnergies, a imprensa já não poderia efectuar qualquer cobertura jornalística da cerimónia.
Segundo relatos recolhidos no local, a informação foi transmitida sem aviso prévio, depois de vários profissionais terem abandonado as suas redacções e assumido custos de deslocação para participar do evento.
A decisão gerou constrangimento, descontentamento e momentos de tensão entre jornalistas e membros da organização, sobretudo devido à ausência de comunicação antecipada sobre a alteração das condições de cobertura.
(Foto dos jornalistas no local)
Alguns profissionais questionaram os motivos da mudança de posição após o envio formal dos convites e defenderam maior respeito institucional pelo trabalho da imprensa, considerando o papel dos órgãos de comunicação social na divulgação de iniciativas de interesse público.
Na tentativa de minimizar o mal-estar, representantes da Tsemba e da TotalEnergies presentes no local terão disponibilizado um valor monetário de 1800 meticais repartido em 200 meticais por cada jornalista afectado para compensar despesas de deslocação, situação que também gerou reacções de indignação entre alguns profissionais.
(Foto do dinheiro)
Importa referir que vários profissionais de comunicação social em Cabo Delgado têm vindo a manifestar preocupação com aquilo que consideram ser uma participação limitada da imprensa local em actividades promovidas pela TotalEnergies e parceiros ligados ao projecto Mozambique LNG, sobretudo em eventos públicos realizados na província.
Em reacção ao sucedido, a Tsembla Life Coaching, Consultoria e Serviços apresentou desculpas públicas aos órgãos de comunicação social, reconhecendo os constrangimentos registados durante o evento. Em comunicado dirigido aos jornalistas, a instituição explicou que a decisão de alterar o formato da cerimónia para um modelo mais reservado, em regime de “low profile”, resultou de uma orientação de última hora da TotalEnergies, comunicada pouco antes do início da actividade.
A organização lamentou o impacto da decisão no trabalho da imprensa, reafirmando respeito pelos profissionais de comunicação social e comprometendo-se a melhorar a coordenação e comunicação em futuras actividades.
O caso volta a levantar debate sobre a relação entre grandes projectos económicos e a imprensa local, particularmente no que diz respeito à transparência, acesso à informação e valorização dos órgãos de comunicação social da província de Cabo Delgado. (Moz24h)

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