Por Estacio Valoi
Em Julho do ano transato o conselho empresarial de Cabo Delgado, Mamudo Irache não só pedia a retoma imediata das escoltas militares nos troços críticos da província assim como o aumento de cobranças ilícitas feitas por supostos grupos terroristas
Segundo o responsável, desde Janeiro foram contabilizadas pelo menos 104 viaturas intercetadas, principalmente no percurso entre a localidade de Awasse, no distrito de Mocímboa da Praia, e o distrito de Macomia, zonas anteriormente afectadas por ataques armados. Os valores exigidos como “resgate” para permitir a circulação de veículos variam entre 200 mil meticais (2930 dólares) e 350 mil meticais (5125 dólares).
“Imagina se você não tem o dinheiro, a viatura vai em cinza”, afirmou Mamudo Irache, sublinhando o impacto psicológico e financeiro desta prática sobre os operadores económicos locais.
Mas estas praticas protagonizados por terroristas tornaram-se numa fonte de extorsão rentável ao longo destes trocos segundo reconfirmam nossas fontes na sua mais recente viagem a 31 de Dezembro ultimo, de Pemba com destino ao distrito de Palma
O terror e a extorsão continua dependendo das quantias
“Esse que lhe encontraram com dinheiro. Tem um outro velho também arrancaram 30.000,00mt e um telefone na caixa, ele tinha um telefone, aqueles infiéis hot 60.”
Os passageiros -vitimas faziam-se transportar numa mini- bus com destino a Palma. Uma saída tardia de Pemba. “ Eu anda estava a espera de assentar para voltar com uma carga de uma empresa Tinham 6 combos e duas caixas que continham silicones. Deram-me dinheiro, 12.000,00mt só para carregar aquilo. Mas aquele dinheiro não vi, é esse que me arrancaram. Não cheguei em Palma, parei em Mocímboa. Eles mandaram um carro que veio até lá, levar aquelas coisas. E eu quando cheguei em Mocímboa disse, mano aqui nós não vamos mais em nenhum sítio. Eu ali já não estava mais a contar, eu disse para descarregar ali mesmo e dormir em Mueda ,para de amanhã sair muito cedo, passar via Muidumbe e sobressair via Xitunda e lá em diante. Eu relaxei, me arrancaram aquele dinheiro, e tem um outro amigo que estava comigo lhe arrancaram 15.000,00mt e tem esse mais velho que lhe tiraram 30.000,00mt e o telefone.”
Eram cerca de 12 pessoas na mini bus e outras mais no outro .carro de Nangade é tinha muita gente. As fontes relatam que no total eram três endo um com destino a Palma , outro com destino a Mueda e o outro para Nangade.
“N’os fomos pegues depois de Xitunda, a ir para Awasse, paguei 36.000,00mt, ali não tem mais pessoas. Tem um lugar que está cheio de picos assim, antes da Central, quando você entra naquela primeira curva, antes da segunda para ir à recta do cartório. Pararam no meio da estrada, nós a tratarmos eles não nos cercaram, mas pararam no meio da estrada. Nem dava para fugir.
E aquela é uma zona abandonada, não tem população. Tirarem-me aquela coisa e no dia seguinte saímos de lá. Estávamos no carro de um amigo de nome Salimo, liguei para o dono e ele me mandou dinheiro para abastecer e para comprar comida no caminho.
Saímos no dia seguinte de manhã. Disse-me que se conseguisse , era apena voltar, não precisava de carregar .Saímos dia seguinte, vazio, até 6h já estava em Macomia.”
Sem escolta voltaram , volta das 6h chegaram a cancela de Macomia onde contaram o sucedido aos militares que ali estavam “uma das pessoas que foi pegue ontem sou eu. Eu aqui não quero saber de nada, vou para casa. Saí e, até às 9h já estava a entrar no Silva Macua. E só comecei a sentir fome quando cheguei em Miezi, era antes de comer algo desde o dia anterior.”
Enquanto uns vão amealhando mais uns milhares de meticais, outros ficam de tocaia prontos a bocanhar. E naquele dia não mudou a regra , os malfeitores saciaram com mais de um milhão de meticais segundo as vitimas.
“Realmente, naquele dia fez-se mais de 1 milhão com aqueles três carros. Só no nosso carro, chegou uma coisa de 200.000,00mt. E no carro de malta Daudo tiraram 70.000,00mt só do motorista porque o mesmo era o dono do carro e tiraram dinheiro do demais. Pois haviam pessoas que estavam a ir para Nagade por causa desse assunto de cerimónias. E nos disseram que éramos o segundo grupo a ser pegue. Quando chegamos em Awasse. Disseram que pegaram os primeiros carros por volta das 10h e eram por volta de três ou quatro viaturas. Eles pegaram, fizeram o que fizeram e mandaram embora. Não estão a matar. Um deixamos la não sabemos o que ficou a acontecer com ele, até porque tinha uma pasta no carro. Eu deixei no controlo de Awasse. Eu disse, aqui tem pasta dele e eles disseram para deixar. Eu não sei o que aconteceu com ele, não tenho nenhuma informação.” Enfatizou uma das fontes ( Moz24h)
