Economia

Auditoria aponta divergências à execução orçamental em Moçambique em 2024

A auditoria do Tribunal Administrativo de Moçambique à Conta Geral do Estado de 2024 aponta divergências na execução orçamental. A situação provoca falta de credibilidade na informação financeira.

Aauditoria do Tribunal Administrativo (TA) de Moçambique à Conta Geral do Estado (CGE) de 2024, em análise no parlamento, aponta “divergências” nos mapas que provocam falta de credibilidade e consistência na informação financeira sobre a execução orçamental.

De acordo com o parecer do TA, que os partidos da oposição utilizaram hoje como argumento para pedir, no parlamento, o chumbo da CGE, esta situação criou “embaraço” na análise na conta, daí ter analisado com “reservas”.

No seu parecer, o TA critica a CGE por não usar o sistema eletrónico de gestão de finanças públicas, referindo que os mapas desta conta continuam a ser elaborados fora do sistema, comprometendo a “fiabilidade, rastreabilidade e integridade da informação financeira, incorrendo a manipulação de dados e contrariando os princípios de transparência nas contas públicas”.

O órgão também constatou na auditoria que a CGE não apresenta informações referentes à alocação de 20% das receitas referentes a Impostos sobre a Exploração Florestal e Faunística a serem destinadas às comunidades e anotou desafios no cumprimento das metas de cobranças de receitas próprias da Administração Central, Provincial e Alienação do Património do Estado.

No documento, identificou ainda “fraca articulação” entre instituições de monitorização e fiscalização da atividade mineira e da atividade petrolífera, contribuindo para o funcionamento de empresas à margem do sistema tributário, com consequências na perda de receitas.

Pelo menos 12 das 60 empresas participadas pelo Governo distribuíram dividendos no ano de 2024, refere-se no mesmo documento, que também avança que a dívida pública do ano em referência alcançou pouco mais de 1,043 biliões (milhões de milhões) de meticais (14 mil milhões de euros), um incremento em 7% face ao ano anterior, em que a dívida tinha alcançado pouco mais de 971 mil milhões de meticais (13,1 mil milhões de euros).

Em 2024, indica o parecer do TA, o Estado gastou globalmente 571,3 mil milhões de meticais (7.710 milhões de euros), após mobilizar recursos de 521,6 mil milhões de meticais (7.039 milhões de euros), quando a previsão antes avançada na proposta orçamental era de 567,8 mil milhões de meticais (7.664 milhões de euros), fundos provenientes de donativos, endividamento interno e externo e receitas do Estado.

A cobrança de receitas no ano de 2024 foi de 351,2 mil milhões de meticais (4.741 milhões de euros), correspondente a 91,3% do previsto na proposta orçamental, conforme avança o TA.

No exercício económico em referência, os megaprojetos contribuíram com pouco mais de 37,7 mil milhões de meticais (509 milhões de euros), correspondentes a 11,8% das receitas arrecadadas, com o parecer do Tribunal Administrativo a indicar que 57% deste valor foi arrecadado do setor de energia, seguido do setor de exploração de petróleo e gás com 11%, exploração de carvão em 7%, e outros setores em 6,8%.

A discussão da CGE de 2024 prossegue na quinta-feira no parlamento, com os votos garantidos da maioria da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), apesar do chumbo anunciado pelos três partidos da oposição. (Lusa)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *