Politica

Afinal, a queda do administrador foi repetida e pior, não foi em camara lenta!

Não é a primeira vez. E, ao que tudo indica, pode não ser a última. 45 dias em Manica a 300 em Namuno, Lundo é novamente escorraçado

 

Por Quinton Nicuete

 

O nome de Vitorino Lundo volta ao centro da polémica após mais uma exoneração, desta vez no distrito de Namuno, na província de Cabo Delgado, depois de fortes pressões das lideranças comunitárias que o acusam de abuso de poder, falta de diálogo e uso de linguagem considerada desrespeitosa.

Mas o histórico levanta uma pergunta inevitável: estamos perante um caso isolado ou um padrão?

No dia 21 de abril de 2025, Vitorino Lundo tomou posse como administrador do distrito de Manica. Dois dias depois, a 23 de abril de 2025, foi oficialmente apresentado à população local. No entanto, a sua permanência no cargo foi curta. Um documento do Ministério da Administração Estatal e Função Pública, datado de 6 de junho de 2025, determinou a sua exoneração, encerrando um ciclo de apenas 45 dias de governação.

Dias depois, Vitorino Lundo ressurgia, a 27 de Julho de 2025, assumiu o cargo de administrador do distrito de Namuno, na província de Cabo Delgado. Uma segunda oportunidade que acabou por durar cerca de 300 dias, até cair novamente, agora sob pressão directa da população e dos líderes tradicionais.

Os líderes comunitários são contundentes, ao afirmar que o dirigente não ouvia, não aceitava opiniões e governava de forma fechada. “Não colhia ideias. Quem falava era ignorado”, relatou um líder local. Outro foi ainda mais duro: “Não era pessoa de trabalhar com a comunidade”.

A insatisfação chegou ao limite quando líderes comunitários decidiram deslocar-se ao gabinete do governador para exigir a sua saída imediata. Houve prazos, ultimatos e até ameaças de abandono simbólico de funções, num gesto raro que demonstra o nível de ruptura institucional no terreno.

O Governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo acabou por exonerar o administrador e nomear uma nova dirigente, Tecla Sispa Mbedo, numa tentativa de restaurar a confiança entre o Estado e a população.

Mas o caso não termina aqui. Namuno já vinha de outra crise de liderança. A administradora anterior, Lúcia Namashulua, também saiu em meio a polémicas, incluindo alegados desentendimentos com a comandante distrital e acusações de má relação com agentes da polícia.

Em menos de três anos, o distrito teve três administradores, todos afastados. Para uma região com mais de 240 mil habitantes, uma das mais populosas de Cabo Delgado, esta instabilidade levanta sérias dúvidas sobre a qualidade da governação local.

A pergunta que fica é directa e incômoda: Quantas quedas são necessárias para o sistema perceber que algo está profundamente errado? (Moz24h)

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