De acordo com a Lusa, a informação foi avançada esta terça-feira (16) pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, que admitiu a existência de negociações envolvendo diferentes intervenientes, escusando-se, contudo, a revelar pormenores sobre o processo.
“Há uma equipa que está a trabalhar no assunto, com as entidades relevantes e com outros intervenientes. Não seria adequado transmitir mensagens intermédias antes de haver um desfecho”, afirmou o governante no final da sessão do Conselho de Ministros.
Segundo Salim Valá, o Executivo acompanha de perto o dossier, por se tratar de um assunto sensível para o mercado e para a economia nacional. A posição surge um dia depois de a australiana South32, accionista maioritária da Mozal, ter confirmado que está a avaliar várias opções para o futuro da fundição, incluindo potenciais soluções para a sua estrutura accionista e operacional.
A Mozal suspendeu a produção a 15 de Março, entrando num regime de conservação e manutenção, após considerar insustentável a tarifa energética proposta para a renovação do contrato de fornecimento de electricidade. Entretanto, a Industrial Development Corporation (IDC), instituição financeira pública da África do Sul e segundo maior accionista da empresa, está a estudar a possibilidade de assumir uma posição de controlo na fundição e relançar as operações.
Documentos tornados públicos indicam que a IDC lançou um concurso para contratar consultores independentes encarregues de avaliar os riscos, a viabilidade económica e os termos de uma eventual aquisição da Mozal ou da constituição de uma nova parceria para a exploração do activo.
O estudo deverá analisar as condições técnicas da unidade industrial, os custos associados à retoma da produção, as necessidades de financiamento e as alternativas de fornecimento energético capazes de assegurar uma operação sustentável a longo prazo.
A questão da energia continua a ser o principal obstáculo ao reinício das actividades. A South32 argumentou anteriormente que a proposta recebida para o fornecimento de electricidade rondava os 100 dólares por megawatt-hora, quase o dobro do nível considerado economicamente viável para a indústria do alumínio.
A empresa defende que o custo da energia representa cerca de um terço da estrutura operacional da fundição e que a continuidade das operações depende da obtenção de um contrato de fornecimento competitivo e sustentável. A Mozal necessita de aproximadamente 950 megawatts de energia para manter a produção em funcionamento contínuo, sendo tradicionalmente abastecida pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa, através da sul-africana Eskom. O contrato de fornecimento expirou em Março, precipitando a suspensão da actividade.
Considerada uma das maiores fundições de alumínio de África, a Mozal empregava cerca de quatro mil trabalhadores e continua a desempenhar um papel estratégico na economia moçambicana, representando uma parcela significativa das exportações industriais do País. (DR)

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