“A credibilidade da justiça não se mede pela velocidade das conclusões, mas pela capacidade de aceitar o escrutínio e corrigir.”
No âmbito da secção Pergunta do Dia da Integrity Magazine News, questionámos recentemente os nossos leitores sobre o papel dos partidos políticos em situações de calamidades naturais no país. Mas a actualidade nacional impõe hoje outra interrogação, igualmente incómoda e necessária.
O Governo português anunciou o envio a Maputo de uma equipa da Polícia Judiciária (PJ) e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses para investigar a morte do administrador do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), Pedro Ferraz Reis, encontrado sem vida num quarto do Hotel Polana. A decisão surge num contexto em que o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) já apresentou uma versão preliminar dos factos, uma explicação que, para muitos cidadãos, deixou mais dúvidas do que respostas.
Perante este cenário, a pergunta impõe-se: a chegada de investigadores estrangeiros trará novos desenvolvimentos ao caso ou acabará por confirmar a versão inicial avançada pelas autoridades moçambicanas?
A intervenção da Polícia Judiciária portuguesa expõe um problema simples, mas profundamente incómodo: a possibilidade de o veredicto do SERNIC não ser a última palavra. Quando uma investigação externa se torna necessária, é porque subsistem dúvidas que a versão oficial não conseguiu dissipar de forma convincente.
Essas divergências podem residir na determinação da causa da morte, na interpretação das provas recolhidas ou mesmo na metodologia aplicada durante a investigação inicial. Processos conduzidos com excessiva rapidez, hipóteses descartadas prematuramente ou conclusões sustentadas em provas frágeis podem até responder à urgência institucional de encerrar um caso, mas raramente satisfazem a exigência maior da verdade.
A Polícia Judiciária, operando com outros padrões técnicos e um distanciamento natural do contexto local, poderá chegar a conclusões diferentes, e essas conclusões, se fundamentadas, serão igualmente legítimas.
Se tal acontecer, o essencial não será a defesa corporativa de instituições, mas o esclarecimento rigoroso dos factos. Porque, em casos sensíveis e de elevado interesse público, a credibilidade da justiça não se mede pela velocidade das conclusões, mas pela capacidade de aceitar o escrutínio, rever procedimentos e corrigir aquilo que ficou por apurar. Moz24h

Leave feedback about this