Sociedade

Conflito sobre gestão de fontanários provoca violência em Metuge; líderes comunitários sequestrados

Por Quinton Nicuete

Um conflito relacionado com a gestão dos valores arrecadados através dos fontanários comunitários desencadeou episódios de violência no posto administrativo de Impire, distrito de Metuge, província de Cabo Delgado, culminando com o incêndio da residência de um líder comunitário, o sequestro de três líderes comunitários e a destruição de dois fontanários.

Segundo a porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, a origem da tensão está na contestação de um grupo de residentes que acusa a liderança comunitária de alegada má gestão dos fundos provenientes das contribuições pagas pela população para o acesso à água.

As manifestações alteraram a ordem pública, levando à intervenção da polícia, que deteve dois indivíduos apontados como responsáveis pelos distúrbios.

Antes destes acontecimentos, a residência de um líder comunitário foi incendiada por indivíduos ainda não identificados.

Em reação à detenção dos dois suspeitos, um grupo de populares sequestrou três líderes comunitários com o objetivo de pressionar as autoridades a libertarem os detidos, considerados pelos manifestantes como os principais envolvidos na destruição de dois fontanários comunitários.

Perante o agravamento da situação, a PRM voltou a intervir, resgatou os três líderes comunitários e deteve mais três suspeitos alegadamente envolvidos nos incidentes.

Face à escalada da violência, o comandante provincial da PRM, Assane Nyito, deslocou-se a Impire, onde reuniu com a população para apelar ao restabelecimento da ordem e da convivência pacífica.

Durante o encontro, Nyito condenou os atos de violência, afirmando que recorrer ao sequestro de líderes comunitários, ao incêndio de residências e à destruição de bens públicos representa um comportamento semelhante ao dos grupos armados que atuam em Cabo Delgado.

“Sequestrar líderes comunitários, incendiar casas e destruir bens públicos são atos que não diferem da forma de atuação dos terroristas. Quem pratica este tipo de ações está a espalhar medo entre a própria população”, afirmou.

O comandante criticou igualmente a destruição dos fontanários, considerando que os principais prejudicados são os próprios residentes.

“A destruição dos furos de água não resolve qualquer problema. Pelo contrário, priva a comunidade de um serviço essencial. Quem destrói estas infraestruturas está a penalizar toda a população”, declarou.

Nyito garantiu que a PRM continuará a responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nos incidentes e apelou à população para denunciar quaisquer atos que atentem contra a segurança e a ordem pública.

Por sua vez, um residente de Impire afirmou que a tensão na comunidade tem sido alimentada por um grupo de indivíduos que desencoraja a participação dos moradores em reuniões comunitárias e promove um ambiente de intimidação. Estas declarações refletem a versão do entrevistado e não foram confirmadas de forma independente.

Segundo a PRM, a situação encontra-se atualmente estabilizada, após o diálogo entre as autoridades e a população, prosseguindo as investigações para identificar outros eventuais envolvidos nos atos de violência. (Moz24h)

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