Por Quinton Nicuete
Um conflito relacionado com a administração dos valores arrecadados através dos fontanários comunitários degenerou em violência no posto administrativo de Impire, distrito de Metuge, em Cabo Delgado, resultando no sequestro de um líder comunitário, destruição de infraestruturas de abastecimento de água e incêndio da sua residência.

A contestação evoluiu para manifestações que alteraram a ordem pública, obrigando à intervenção das forças policiais. Na primeira ação, a polícia deteve dois indivíduos apontados como participantes nos protestos.
Entretanto, em resposta às detenções, um grupo de manifestantes raptou o líder comunitário e destruiu vários fontanários da comunidade, agravando a situação de tensão. A polícia voltou a intervir, conseguiu resgatar o responsável comunitário e efetuou a detenção de mais três suspeitos alegadamente envolvidos nos incidentes.
Apesar destas ações, os confrontos não cessaram. Horas depois, desconhecidos incendiaram a residência do líder comunitário, aumentando o clima de insegurança na localidade.
Face ao agravamento da situação, o comandante provincial da PRM, Assane Nyito, deslocou-se a Impire para reunir com a população e apelar ao restabelecimento da ordem e da convivência pacífica.
“Sequestrar líderes, incendiar casas e destruir bens públicos são atos que não diferem da forma de atuação dos terroristas. Quem pratica este tipo de ações está a espalhar medo entre a própria população”, afirmou.
Nyito criticou igualmente a destruição dos sistemas de abastecimento de água, considerando que os maiores prejudicados são os próprios residentes.
“A destruição dos furos não resolve qualquer problema. Pelo contrário, retira à comunidade um serviço essencial. Quem destrói estas infraestruturas está a penalizar toda a população”, declarou.
O comandante assegurou que a PRM continuará a responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nos incidentes e apelou à população para denunciar qualquer ato que coloque em causa a segurança e a ordem pública.
Por sua vez, um residente de Impire afirmou que a tensão na comunidade tem sido alimentada por um grupo de indivíduos que desencoraja a participação dos moradores em reuniões comunitárias e promove um ambiente de intimidação. As declarações representam a versão do entrevistado e não foram confirmadas de forma independente.
Segundo a PRM, a situação encontra-se atualmente estabilizada, na sequência do diálogo entre as autoridades e a população, prosseguindo as investigações para identificar outros eventuais envolvidos nos atos de violência. (Moz24h)