Economia

Tete: Projecto de Terras Raras em Monte Muambe Recebe Apoio de 1,8 M$ Dos EUA

O projecto de terras raras de Monte Muambe, localizado na província de Tete, recebeu um financiamento de 1,8 milhão de dólares concedido pela Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento, num impulso considerado estratégico para o avanço da fase de pré-viabilidade.

De acordo com o portal Engineering News, o acordo foi inicialmente anunciado durante um evento dedicado a minerais críticos, realizado à margem do Investing in African Mining Indaba, na Cidade do Cabo, tendo sido formalizado duas semanas depois, na Embaixada dos Estados Unidos, em Maputo.

De acordo com o director executivo da Altona Rare Earths, Cedric Simonet, o financiamento será aplicado em áreas técnicas determinantes, nomeadamente na metalurgia e na engenharia de processos, incluindo uma campanha de perfuração de curta duração para recolha de novas amostras. O apoio permitirá igualmente actualizar o modelo financeiro e a valorização do projecto.

Segundo o responsável, este contributo externo está alinhado com o programa de desenvolvimento de curto prazo da empresa, permitindo redireccionar recursos próprios para acelerar o avanço do projecto de fluorite, cuja entrada em construção está prevista para 2027.

O depósito de Monte Muambe, com cerca de 2,5 quilómetros de diâmetro e de natureza carbonatítica, alberga vários minerais de interesse, com destaque para terras raras, fluorite e gálio. As terras raras concentram-se sobretudo na zona central do depósito, enquanto a fluorite de alto teor, associada a ocorrências de gálio, ocorre nas áreas periféricas.

 

O projecto de terras raras encontra-se actualmente em fase de pré-viabilidade e prevê um investimento superior a 200 milhões de dólares, com um horizonte de desenvolvimento estimado em cinco anos. Em paralelo, o projecto de fluorite, ainda em fase de estudo preliminar, apresenta menor dimensão, maior teor e necessidades de capital inferiores a 20 milhões de dólares, factores que poderão permitir uma entrada mais célere em produção.

Vista do depósito de Monte Muambe, na província de Tete, onde decorrem trabalhos de avaliação para exploração de terras raras

Apesar de integrados na mesma licença mineira, os dois projectos estão a ser desenvolvidos de forma independente, atendendo às diferenças na mineralização, dinâmica operacional e distribuição espacial dos recursos.

No âmbito dos trabalhos em curso, a empresa está focada na redução dos riscos associados à metalurgia e à engenharia de processos, considerados os principais desafios em projectos de terras raras. Actualmente, a componente hidrometalúrgica representa cerca de 50% dos custos operacionais, sendo expectável que a optimização dos processos de beneficiação contribua para a sua redução.

Paralelamente, os trabalhos de exploração realizados em 2025 nas zonas de fluorite e gálio permitiram expandir a mineralização para além das áreas anteriormente conhecidas. As campanhas incluíram perfurações em zonas já estudadas e em novos alvos, com vista à actualização da estimativa de recursos minerais.

Estas actividades resultaram igualmente na identificação de ocorrências de gálio associadas à fluorite, devendo a próxima estimativa de recursos abranger ambos os minerais. Estão também em avaliação opções para a recuperação de gálio como subproduto.

No que respeita à produção, a Altona prevê atingir 50 mil toneladas anuais de fluorite de grau ácido, podendo este volume aproximar-se das 100 mil toneladas, dependendo dos resultados das próximas campanhas de perfuração. Ensaios metalúrgicos anteriores indicam taxas de recuperação na ordem dos 65%, estando actualmente em curso testes adicionais para validar os parâmetros finais de processamento.

 

 

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