Por Quinton Nicuete
A Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA IP) em Cabo Delgado, reconheceu na sexta-feira passada, que a insurgência armada continua a limitar as operações de fiscalização florestal em vários distritos de Cabo Delgado, criando dificuldades no combate à exploração e ao contrabando ilegal de madeira, sobretudo nas zonas mais afetadas pelo conflito.
As declarações foram feitas pelo delegado provincial da AQUA IP, Achimo Francisco, durante as celebrações do Dia Internacional do Fiscal de Florestas e Fauna Bravia, assinalado a 31 de julho sob o lema “Fiscais de Florestas e Fauna Bravia: os guardiões de um planeta em mudanças”, que teve lugar na comunidade de Ntocota, posto administrativo de Mieze, distrito de Metuge. 
Segundo o responsável, as equipas de fiscalização enfrentam restrições de acesso às áreas de exploração florestal localizadas em distritos afetados pela insurgência, obrigando a instituição a concentrar a sua atuação em denúncias, operações nas vias públicas e locais de armazenamento de produtos florestais.
“Temos tido dificuldades em chegar às zonas de corte, principalmente nos distritos afetados pela insurgência. Mesmo assim, continuamos a trabalhar com base em denúncias, nas estradas e nos locais onde a madeira é posteriormente depositada”, afirmou.
Achimo Francisco admitiu ainda que a extensa fronteira entre Cabo Delgado e a Tanzânia continua a favorecer a saída ilegal de madeira do território moçambicano.
“É possível que parte desta madeira esteja a sair ilegalmente do país. Temos trabalhado em coordenação com as Forças de Defesa e Segurança para travar este fenómeno.”
Mais de 2.300 pranchas apreendidas
Apesar das limitações operacionais, a AQUA IP anunciou que, durante o primeiro semestre de 2026, apreendeu cerca de 2.300 pranchas de madeira processada, equivalentes a aproximadamente 80 metros cúbicos, nos distritos de Mueda e Mocímboa da Praia.
As apreensões envolveram espécies de elevado valor comercial, como chanfuta e umbila.
Segundo o delegado provincial, foram igualmente aplicadas multas que totalizam cerca de 1,8 milhão de meticais, dos quais aproximadamente um terço já foi pago. Alguns processos resultaram ainda na detenção de suspeitos por crimes florestais.
“Temos um caso considerado grave, em que um indivíduo foi detido e continua a responder criminalmente por exploração e transporte ilegal de madeira.”
Montepuez é centro logístico da madeira?
Questionado sobre denúncias de exploração ilegal em Montepuez, Achimo Francisco rejeitou classificar o distrito como epicentro da atividade ilícita, defendendo que a cidade funciona sobretudo como um centro logístico.
Segundo explicou, muitas empresas optam por instalar os seus estaleiros em Montepuez devido às melhores condições de acesso, energia elétrica e disponibilidade de terrenos, concentrando ali o armazenamento e processamento da madeira explorada noutros distritos.
A AQUA IP assegurou que mantém fiscais permanentes em Montepuez, Balama, Namuno e outros postos estratégicos para reforçar o controlo da circulação dos produtos florestais.
Fiscalização vai além das florestas
O delegado recordou ainda que as competências da AQUA IP não se limitam à fiscalização florestal, abrangendo igualmente matérias ligadas ao ambiente, ordenamento territorial e gestão de terras.
Durante a cerimónia, a instituição destacou o papel dos fiscais na proteção da biodiversidade e homenageou os profissionais que perderam a vida no exercício das suas funções em defesa do património natural. (Moz24h)

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