Os fiscais da área de conservação gerida pela MWA alertam para a morte de milhares de peixes e o alegado aumento da caça furtiva e do garimpo ilegal na região de Marrangira, no Niassa. Segundo o Moçambique Bio, os profissionais apelam à intervenção urgente das autoridades para travar a degradação ambiental e reforçar a fiscalização.
A morte de milhares de peixes no rio Loreco, na região de Marrangira, província do Niassa, está a gerar preocupação entre os fiscais da Coutada de Marrangira, que pedem uma intervenção urgente das autoridades governamentais e dos organismos responsáveis pela conservação da biodiversidade.
Segundo informações divulgadas pelo Moçambique Bio, os fiscais da MWA, entidade responsável pela gestão da coutada, suspeitam de episódios de envenenamento das águas e alertam para o agravamento das ameaças ambientais numa região próxima da Reserva Especial do Niassa.
Num vídeo divulgado pela plataforma, os fiscais apelam à deslocação de representantes do Governo distrital, do Governo provincial e das autoridades de conservação ao local, para avaliarem a situação e determinarem as medidas necessárias.
A preocupação estende-se para além da mortalidade de peixes. De acordo com o Moçambique Bio, os fiscais alertam igualmente para o alegado aumento da caça furtiva, do garimpo ilegal e da pressão sobre os limites da coutada, actividades que poderão comprometer os esforços de protecção da fauna e dos recursos naturais da região.
O caso assume particular relevância por ocorrer numa zona que já foi afectada pela violência armada. Segundo a mesma fonte, as consequências dos ataques de insurgentes levantam preocupações adicionais sobre a capacidade de fiscalização e a protecção dos ecossistemas.
O Moçambique Bio refere ainda que os fiscais consideram existir uma pressão crescente de algumas comunidades sobre as áreas da coutada, situação que poderá contribuir para conflitos relacionados com a ocupação e utilização do território.
A Coutada de Marrangira, situada na zona tampão da Reserva Especial do Niassa, desempenha um papel relevante nos esforços de conservação da biodiversidade. Segundo os relatos divulgados pela plataforma, a área terá contribuído para reduzir a caça furtiva e o garimpo ilegal, embora os fiscais receiem que estas actividades estejam a ganhar novamente espaço após os ataques armados.
Entretanto, o Moçambique Bio afirma estar na posse de documentos relacionados com empresas que poderão ter interesses na exploração de recursos minerais na região, incluindo rubis, ouro e outros minerais. Segundo a plataforma, algumas empresas terão solicitado licenças, enquanto outras já dispõem de licenças, concessões ou autorizações administrativas para actividades de prospecção ou operações relacionadas com a área.
A existência desses documentos, por si só, não comprova a ocorrência de exploração ilegal, nem estabelece qualquer ligação entre interesses mineiros e os ataques armados. O alcance dessas actividades e a sua eventual relação com a pressão sobre a coutada carecem de esclarecimento documental e de confirmação junto das entidades competentes.
Perante a situação denunciada, coloca-se a necessidade de apurar as causas da morte dos peixes no rio Loreco, verificar a eventual presença de substâncias tóxicas na água e avaliar a extensão dos danos ambientais. Até que sejam divulgados resultados de análises ou de uma investigação técnica, a hipótese de envenenamento permanece por confirmar.
A situação exige igualmente esclarecimentos sobre as medidas adoptadas pelas autoridades para responder às preocupações dos fiscais, reforçar a vigilância e prevenir actividades que possam ameaçar a biodiversidade e os meios de subsistência das comunidades locais.
O Moçambique Bio considera urgente uma intervenção coordenada do Governo distrital, do Governo provincial do Niassa, do Secretariado de Estado na província e das autoridades responsáveis pela conservação, com vista à avaliação da situação no terreno e à definição de medidas de resposta.
A plataforma anunciou ainda a intenção de aprofundar a investigação sobre as empresas que poderão ter interesses minerais na Coutada de Marrangira, apresentando informações documentadas e assegurando o direito de resposta dos visados.
Até ao momento, as informações divulgadas pelo Moçambique Bio não permitem determinar as causas da mortalidade dos peixes, quantificar os danos ambientais ou confirmar a dimensão do alegado aumento da caça furtiva e do garimpo ilegal.
O esclarecimento destes aspectos será fundamental para determinar a dimensão do problema e identificar as medidas necessárias para proteger o rio Loreco, a Coutada de Marrangira e a Reserva Especial do Niassa. (Moz24h)
Assista o vídeo:

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