Nos últimos anos figuras reputadas e inclusive alguns dirigentes moçambicanos perderam a vida em hospitais ou clínicas de outros países. Deste modo, que reformas são necessárias para que os serviços de saúde nacionais possam fornecer um atendimento que atraia os dirigentes nacionais e os seus parentes?
As reformas que devem ser feitas, ou que são necessárias para que os serviços nacionais de saúde possam prestar um atendimento adequado, passam por um maior investimento do Governo no sector da saúde e pela criação de condições para equipar os nossos hospitais.
Se o Governo investisse de forma rigorosa no apetrechamento de hospitais de qualidade e na aquisição dos devidos medicamentos, o dinheiro que os dirigentes gastam para receber tratamento no estrangeiro estaria a circular aqui mesmo, na nossa pátria. Porém, o que tem acontecido é que os dirigentes se esquecem de investir no seu próprio país, preferindo investir em países estrangeiros.
Ora, vejamos: antigamente tínhamos um sistema de saúde de melhor qualidade quando comparado com o actual. Naquela época, os hospitais dispunham de medicamentos para tratar os seus pacientes. Hoje em dia, muitos hospitais já não têm medicamentos suficientes. Há quem defenda que parte dos recursos destinados à saúde acaba por beneficiar interesses privados, em detrimento do bem-estar da população.
O Governo deve criar leis e estratégias que visem o investimento nos nossos serviços de saúde. Não adianta termos quadros qualificados se não dispomos de hospitais adequados nem de um sistema de saúde eficiente e capaz de responder às necessidades dos cidadãos.
O nosso maior valor é a vida, e isso deve reflectir-se na qualidade dos serviços de saúde prestados à população. O Governo não deve limitar-se a esperar pelo apoio de financiadores externos para sustentar o sector da saúde.
Nós temos vários recursos. Uma possível estratégia seria exigir que todo o investidor que pretenda investir no nosso país contribuísse para a construção de um hospital ou para o apetrechamento de uma unidade sanitária com equipamentos modernos e adequados.
Por outro lado, os nossos dirigentes devem assegurar que os equipamentos doados pelos parceiros de Moçambique para a saúde pública sejam efectivamente destinados aos hospitais e centros de saúde, beneficiando directamente o povo para o qual foram concebidos.
Só com investimentos sérios, gestão transparente dos recursos e compromisso com o interesse nacional será possível construir um sistema de saúde digno, eficiente e capaz de garantir um atendimento de qualidade a todos os moçambicanos. (Integrity)

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