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Secretário de Estado confirma raptos e assassinatos em Muidumbe

O secretário de Estado em Cabo Delgado, Plácido Pereira, confirmou esta quarta-feira em Pemba, a ocorrência de novos raptos e assassinatos de civis em algumas aldeias do distrito de Muidumbe, na sequência de novos episódios de violência atribuídos a grupos terroristas.

Os relatos sobre a dimensão da violência divergem. Algumas fontes apontam para 21 pessoas mortas, enquanto outras referem quatro vítimas mortais, não havendo, até ao momento, um balanço oficial que permita confirmar o número exacto de mortos. Também foram reportados raptos de civis, mas o número de pessoas levadas permanece por esclarecer.

“Tem estado a acontecer e houve raptos e assassinatos de pessoas em algumas aldeias de Muidumbe”, confirmou Plácido Pereira, sem avançar o número de vítimas.

Os novos episódios de violência estão a provocar a fuga de famílias das zonas afectadas, numa região onde grande parte da população depende da agricultura para a sua sobrevivência.

O secretário de Estado reconheceu que a insegurança poderá comprometer a produção de alimentos, uma vez que os ataques estão a ocorrer em áreas agrícolas que já tinham sido preparadas para a produção.

“Pode comprometer porque eram áreas já identificadas onde certamente haveria de se produzir quantidades consideráveis de alimentos”, afirmou, acrescentando que o Governo pretende compensar eventuais perdas através do reforço da produção noutras zonas da província.

Plácido Pereira associou ainda a necessidade de reforçar a assistência às populações aos efeitos previstos do fenómeno El Niño, sobretudo nos distritos de Namuno e Chiúre.

Apesar dos novos ataques, o governante considera que a situação de segurança na província melhorou em comparação com os anos anteriores, embora reconheça que a ameaça continua presente.

“Comparativamente a dois, três anos atrás, a situação em Cabo Delgado melhorou muito”, disse, ressalvando que “não quer dizer que acabou”.

“O terrorismo está lá, os terroristas estão lá e há acção das Forças Armadas de Defesa e Segurança para debelar este fenómeno”, acrescentou.

O secretário de Estado assegurou que as Forças de Defesa e Segurança continuam no terreno, com operações destinadas a perseguir os grupos armados e conter a violência nas zonas afectadas.

Mais de sete mil pessoas deslocadas

Os novos episódios de violência ocorrem num contexto de aumento da deslocação forçada de populações em Cabo Delgado.

Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que 7.029 pessoas foram deslocadas na província em pouco mais de cinco semanas, entre o final de Setembro e 27 de Outubro, devido à insegurança e ao receio de novos ataques.

Segundo a OIM, 5.794 pessoas foram deslocadas entre 21 de Setembro e 13 de Outubro, enquanto outras 1.235 abandonaram as suas zonas de origem entre 14 e 27 de Outubro. Algumas famílias foram obrigadas a deslocar-se mais do que uma vez.

Mulheres e crianças representam cerca de 80% das chegadas mais recentes. Entre os deslocados identificados no período mais recente estão 584 crianças, 386 mulheres, incluindo 87 grávidas, 58 idosos, 18 pessoas com deficiência e quatro crianças desacompanhadas ou separadas das suas famílias.

A OIM estima que Cabo Delgado acolhia, em Outubro de 2026, mais de 205 mil pessoas deslocadas, distribuídas por 84 locais de reassentamento e acolhimento.

A maioria das famílias recentemente deslocadas está a ser acolhida por comunidades anfitriãs, aumentando a pressão sobre famílias e serviços locais já fragilizados.

A alimentação surge como a principal necessidade, referida por 88% das pessoas avaliadas, seguida de abrigo, com 71%, e cuidados de saúde, com 44%.

A organização alerta para o agravamento das necessidades humanitárias, numa altura em que não existem sinais claros de um regresso seguro das populações às suas zonas de origem e em que o financiamento para a resposta humanitária continua limitado.

A nova vaga de violência em Muidumbe volta a colocar em risco a população civil e a actividade agrícola, num distrito que continua a enfrentar os efeitos da insurgência armada que afecta Cabo Delgado desde 2017. (Moz24h)

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