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Ataque armado deixa mortos e feridos e destrói complexo turístico em Marrupa

MARRUPA — Um ataque atribuído a um grupo de alegados insurgentes atingiu, na quinta-feira (3), a zona de Marangira, no distrito de Marrupa, província do Niassa, onde funciona um empreendimento turístico ligado à Mozambique Wild Adventures (MWA), empresa da qual o antigo treinador da selecção portuguesa Carlos Queiroz é apontado como um dos proprietários.

Segundo fontes locais, os supostos homens armados incendiaram várias estruturas da Coutada de Marangira, incluindo o acampamento turístico conhecido como Main Camp/Tented Safari Camp. As mesmas fontes relatam ainda o roubo de aproximadamente 15 viaturas pertencentes ao empreendimento.A incursão terá sido antecedida pela destruição de antenas de telefonia móvel na região, deixando as comunidades e operadores locais com dificuldades de comunicação no momento em que o grupo avançou sobre a área turística.

QUATRO MORTOS E VÁRIOS FERIDOS

Dados actualizados por uma fonte local apontam para pelo menos quatro mortos, entre os quais estaria uma pessoa de raça branca. A informação, contudo, ainda não foi oficialmente confirmada pelas autoridades.

Persistem ainda dúvidas sobre o número total de vítimas e feridos resultantes do ataque mas fonte igualmente diz que três cidadãos norte-americanos foram resgatados por helicópteros.

A mesma fonte refere que várias pessoas ficaram feridas, incluindo membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS), tendo algumas vítimas sido encaminhadas para o Centro de Saúde de Marrupa para receber assistência médica.

A situação permanecia tensa esta sexta-feira. Segundo relatos locais, helicópteros foram vistos na região e efectivos das FDS circulavam em diferentes pontos da vila de Marrupa, enquanto prosseguem operações de busca e perseguição aos alegados atacantes.

Na localidade de Marangira, fontes relatam igualmente a presença e movimentação de homens armados, aumentando o receio entre as populações residentes naquela zona.

FUNCIONÁRIOS E POPULAÇÃO ABANDONAM A ÁREA

Cerca de 15 trabalhadores do empreendimento terão abandonado as instalações durante ou após o ataque, procurando zonas consideradas mais seguras.

Há também relatos de fuga de moradores das comunidades próximas, com crianças e idosos entre os grupos que terão deixado as suas casas. Algumas famílias terão saído sem conseguir levar alimentos ou outros bens essenciais.

A Coutada de Marangira encontra-se a norte da vila de Marrupa, junto ao limite sul da Reserva Especial do Niassa, uma das maiores áreas de conservação de Moçambique.

A região alberga actividades de turismo de natureza e caça, atraindo operadores e visitantes estrangeiros. A dimensão e localização estratégica da concessão tornam o ataque particularmente preocupante para o sector turístico e para as comunidades que dependem economicamente destas actividades.

AUTORIDADES AINDA SEM CONFIRMAÇÃO OFICIAL

O Moz24h contactou o comandante distrital de Marrupa, Matias Chiburre, que esclareceu que não tem competência para se pronunciar sobre o caso. Segundo o comandante, cabe ao Comando Provincial prestar esclarecimentos sobre o incidente, uma vez que ele exerce apenas a função de comandante distrital.

Igualmente contactamos a Administradora do distrito de Marrupa, Luísa Calima, em busca de esclarecimentos sobre o ataque, o número de vítimas e a situação de segurança.

A responsável informou inicialmente que se encontrava numa sessão do Governo. No entanto, até ao fecho desta reportagem, não havia retornado a chamada para prestar esclarecimentos oficiais.

As informações sobre mortos, feridos, movimentação dos atacantes e danos materiais permanecem, por isso, dependentes de confirmação das autoridades competentes.

NIASSA SOB PRESSÃO DA INSEGURANÇA

A incursão em Marangira ocorre num contexto de crescente preocupação com a possibilidade de expansão da violência armada para zonas de conservação e corredores entre Cabo Delgado e Niassa.

No ano passado, um grupo de alegados insurgentes invadiu a área de caça de Kambako, situada na Reserva Especial do Niassa, na zona limítrofe entre Niassa e Cabo Delgado. Na ocasião, foram reportados vários reféns, embora o número exacto não tenha sido divulgado.

A Kambako está territorialmente localizada em Cabo Delgado, nas proximidades dos distritos de Meluco, Montepuez e Mueda, junto ao rio Lugenda, um importante curso de água da região.

A Reserva Especial do Niassa possui seis áreas de caça concessionadas a operadores privados e constitui uma das principais zonas de turismo de natureza do país. Incursões armadas nestas áreas podem afectar directamente a actividade turística, provocar cancelamentos de reservas e comprometer postos de trabalho ligados às concessões.

ALERTA DOS ESTADOS UNIDOS

A nova ocorrência surge poucas semanas depois de os Estados Unidos terem actualizado, a 21 de Agosto de 2026, o seu alerta de viagem, recomendando aos cidadãos norte-americanos que não se desloquem a Cabo Delgado, à Reserva Especial do Niassa e aos distritos de Memba e Eráti, em Nampula, devido aos riscos associados ao terrorismo e raptos.

Nas últimas semanas, também foram reportados episódios de rapto e movimentação de alegados insurgentes noutras regiões do norte.

Em Balama, oito jovens caçadores terão sido raptados e mantidos em cativeiro durante cerca de 24 horas antes de serem libertados. Fontes locais afirmam que há circulação de alegados insurgentes naquela região desde Julho.

Já em Macomia, nas proximidades de Nanjaba, cinco pessoas, incluindo uma criança, terão sido raptadas. Quatro vítimas foram posteriormente libertadas, enquanto a criança continuaria em cativeiro, segundo fontes locais.

A sucessão destes episódios reforça os receios de que zonas anteriormente consideradas afastadas dos principais focos da insurgência estejam a ser alcançadas por grupos armados, colocando em risco populações, trabalhadores, operadores turísticos e visitantes estrangeiros. (Moz24h)

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