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Município de Pemba acusado de excluir imprensa e evitar escrutínio público

Foto: Estacio Valoi/Pemba City/Cabo Delgado

Foto: Estacio Valoi/Pemba City/Cabo Delgado

Por Quinton Nicuete

 

 

O Conselho Municipal da Cidade de Pemba está a ser alvo de críticas crescentes por alegadamente selecionar quais órgãos de comunicação social podem cobrir as suas actividades, numa prática que levanta sérias preocupações sobre transparência, acesso à informação e liberdade de imprensa em Cabo Delgado.

Jornalistas locais denunciam que uma parte significativa da imprensa tem sido sistematicamente excluída de eventos oficiais promovidos pelo município, incluindo encontros públicos, anúncios institucionais e iniciativas de interesse colectivo. Segundo apurou esta reportagem, os convites são direccionados a um grupo restrito de órgãos, deixando de fora profissionais que frequentemente abordam temas críticos relacionados com a gestão municipal.

A prática tem gerado indignação entre profissionais da comunicação social, que consideram estar perante uma tentativa de controlar a narrativa pública e evitar questionamentos incómodos, sobretudo em momentos de maior pressão social.

Nos últimos dias, o descontentamento intensificou-se devido ao silêncio do município face aos impactos das chuvas que afectaram a cidade de Pemba. Enquanto várias zonas registam degradação acentuada das estradas, dificuldades de acesso e prejuízos para os moradores, não houve um posicionamento claro das autoridades municipais.

Para jornalistas excluídos dos eventos, esta ausência de comunicação não é casual. “Quando não convidam toda a imprensa, evitam perguntas difíceis. É uma forma de fugir ao contraditório”, afirmou um profissional que preferiu não ser identificado.

A crítica ganhou ainda mais força após a realização de um encontro de auscultação pública para definição das rotas dos novos 12 autocarros urbanos que a edilidade recebeu recentemente em Nampula, onde apenas dois órgãos foram convidados a cobrir a actividade. O evento, dirigido pelo presidente do município, Satar Abdulgani, discutiu soluções para mobilidade, mas não abordou de forma clara o estado actual das vias, severamente afectadas pelas chuvas.

A exclusão de parte da imprensa levanta questões sobre o compromisso do município com princípios básicos de governação aberta, num contexto em que a comunicação institucional deveria ser inclusiva e transparente.

Especialistas em comunicação pública defendem que instituições do Estado não devem selecionar jornalistas com base na linha editorial ou no tipo de cobertura que fazem, ou por causa de conflitos pessoais, sob pena de comprometer o direito à informação e enfraquecer o papel fiscalizador da imprensa.

Enquanto isso, na cidade, persistem os problemas que muitos jornalistas dizem não ter oportunidade de questionar directamente: estradas degradadas, bairros com acessos comprometidos, com problemas sérios de saneamento, água potável e falta de esclarecimentos oficiais.

A ausência de abertura à imprensa, aliada ao silêncio institucional, está a alimentar a percepção de distanciamento entre o município e os cidadãos, numa altura em que se exige maior prestação de contas e trabalho visível prático

Até ao momento, o Conselho Municipal da Cidade de Pemba não se pronunciou sobre as acusações de exclusão selectiva da imprensa. (Moz24h)

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