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CABO DELGADO, O QUE ESTÁ A ACONTECER?

Durante anos, quando jornalistas procuram sempre esclarecimentos sobre ataques atribuídos a supostos terroristas em Cabo Delgado têm ouvido praticamente as mesmas respostas: “As Forças de Defesa e Segurança é que devem pronunciar-se”, “Ainda não temos detalhes sobre o que aconteceu” ou simplesmente “O chefe não pode falar”.

Mas o que custuma acontecer província de Nampula e o que aconteceu no Niassa, é sempre diferente. Depois do ataque de supostos terroristas contra a localidade de Marangira, no distrito de Marrupa, parece demonstrar que existe outra forma de as autoridades lidarem com uma crise de segurança.

Marrupa foi atacada na quinta-feira, 3 de Setembro. Poucas horas depois, na noite de sexta-feira, o secretário de Estado, Silva Livone, a Governadora, Elina Judite Massengena e o primeiro secretário do partido Frelimo no Niassa, José Abibo Iassine, falaram publicamente à imprensa sobre o ataque. Não foi preciso esperar que jornalistas insistissem durante dias por uma explicação. As autoridades comunicaram.E mais: dois dias depois do ataque, o secretário de Estado, o número do partido Frelimo no Niassa e outros quadros da província deslocaram-se ao Posto Administrativo de Marangira para avaliar directamente os estragos provocados pela incursão.Segundo a informação oficial divulgada pelo Conselho dos Serviços Provinciais de Representação do Estado no Niassa, a visita permitiu constatar os danos provocados pelos alegados terroristas, incluindo a destruição de infra-estruturas, viaturas e outros bens, além de casos de pessoas feitas reféns.

O secretário de Estado visitou igualmente a Coutada da MWA, uma das áreas afectadas pelo ataque, e dirigiu uma mensagem de encorajamento às Forças de Defesa e Segurança, apelando ao reforço das acções de prevenção e protecção da população.A população também foi chamada a reforçar a vigilância e a denunciar movimentos considerados suspeitos.

Os dirigentes Provinciais não responderam aos jornalistas com a famosa frase: “As FDS é que devem falar”. Não disseram que precisavam primeiro de receberem ordens. Não afirmaram  simplesmente que ainda não tinham informações.

Pelo contrário, as autoridades provinciais foram ao terreno, avaliaram os danos, falaram sobre o ataque e actualizaram a população.

A postura mereceu vários elogios de cidadãos na página oficial do Conselho dos Serviços Provinciais de Representação do Estado no Niassa.

E é precisamente aqui que surge uma pergunta inevitável:

Afinal, por que razão Cabo Delgado continua a enfrentar tantas dificuldades na comunicação oficial sobre ataques terroristas?

Por que é que, numa província que há anos vive sob a ameaça da insurgência, tantas vezes as autoridades civis, políticas e policiais permanecem em silêncio quando comunidades são atacadas?

Ninguém está a defender que os dirigentes revelem informações militares sensíveis ou coloquem operações em risco. Mas informar a população sobre ataques, vítimas, deslocados, danos e medidas de assistência não deveria ser considerado um segredo militar.

O exemplo de Marrupa demonstra que é possível informar sem comprometer operações de segurança.

Quando as autoridades se calam, são os rumores que ocupam o espaço deixado vazio. E, numa província como Cabo Delgado, onde milhares de pessoas vivem diariamente com medo da violência, o silêncio oficial pode agravar ainda mais a incerteza e a insegurança.

Cabo Delgado merece respostas. A população merece informação. E os jornalistas não deveriam ter de lutar contra portas fechadas sempre que ocorre um ataque.

Cabo Delgado, o que está a acontecer? (Moz24h)

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