Moz24h Blog Sociedade QUE MENSAGEM DEVE FICAR COM O ASSASSINATO DE DOM OSÓRIO?
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QUE MENSAGEM DEVE FICAR COM O ASSASSINATO DE DOM OSÓRIO?

O direito à vida não é somente fundamental, mas também é um direito inegociável, isto é, ninguém deve tirar sua vida nem da do outro.

Porém, em Moçambique a situação parece diferente. A vida dos inocentes e daqueles que se entregam para defender a “vida” dos outros é mesmo que comprar a morte ou ser perseguido até a morte.

Porque há, cada vez mais, a desvalorização da vida, com o assassinato de Dom Osório é urgente e é tempo de acusarmos as nossas consciências, curarmos as nossas feridas, aprendermos a valorizar a vida como dom precioso e construirmos um ambiente de paz neste país que chamamos de Moçambique.

Nos últimos anos, quando alguns analistas, críticos e atores sociais e políticos denunciam que o país não está bem devido à guerra e ao terrorismo que ceifam vidas, violência nas cidades e crise de valores, tem sido também automático, na fala de algumas pessoas que defendem contrariamente que o país está bem. É outro país ou há dois “Moçambiques”?

Contudo, nas grandes cidades, os que têm condições, protegem suas casas com cercas elétricas, câmeras de segurança e homens armados para vigiarem a residência.

Nos palácios da elite e das autoridades do Estado, além das diversas formas de proteção dos edifícios, marca-se um isolamento para que ninguém aproxime, embora isso viole o direito ao passeio nas ruas públicas.

Esta breve reflexão surge após a triste e chocante notícia do assassinato de Dom Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane.

O final de semana e este início de semana, a conversa foi, é e será sobre a morte do bispo católico, dom Osório.

Para contextualizar, na manhã do sábado do dia 06 de junho de 2026, a comunidade cristã católica, em particular, e os moçambicanos, homens e mulheres de boa vontade, acordaram e começaram o dia enfrentando o “grande pesadelo”: assassinaram o bispo de Quelimane.

Está sendo difícil acreditar que o que está a circular é verdade: silenciaram uma voz profética.
A violência grave está a ultrapassar os limites.

Mas neste país quando o assunto é morte de um inocente, a notícia corre mais que a velocidade da luz. Por isso, quando no início parecia uma “fake news”, de boato não se trata mais: a manhã do dia 06 de junho foi manchada pelo sangue de um bispo, por sinal jovem e com poucos anos de ordenação episcopal.

A notícia da morte de Dom Osório é chocante para todo aquele que valoriza a vida e tem consciência pura.

É notícia chocante para todos os que acompanham o trabalho da Igreja Católica em Moçambique que promove a paz, contribui na construção da cidadania e no desenvolvimento social, político e econômico.

A notícia da morte de Dom Osório é chocante porque fora dos muros de Moçambique, afirma-se que neste país a violência está no ápice.
Se a violência ocorre nesta terra, será que também nós, os moçambicanos não somos violentos?

A notícia é chocante porque ouvir que mais uma vida foi tirada no meio de nós não deve ser o pão de cada.
Não se trata de morte natural, mas de alguém que se entregou para ser obreiro da paz e “pastor de ovelhas” que foi assassinato.

É notícia chocante porque em breve alguém vai falar sem vergonha que Moçambique é terra de paz e o povo está bem.

Afinal, acordarmos com disparos contra um servo de Deus, contra um inocente, isso é paz?

Iniciar o dia com notícias de violência grave, isso é paz e tranquilidade?

Para os que acompanham a mídia moçambicana, tem sido raro não se falar de mortes. Na Televisão, por exemplo, na hora do telejornal, dificilmente termina sem alguma notícia triste de criminalidade, violência e assassinato de inocentes. Isso revela que o país está bem?

Neste momento há mais perguntas que respostas.
Antes que as especulações cresçam, que haja esclarecimento sobre a morte de Dom Osório.
Que às autoridades encontrem os que assassinaram o bispo e que a justiça seja transparente e imparcial.

Enquanto isso, cada moçambicano se questione:
Como está a consciência?
Como está o clima de paz interior?
Tem procurado ser menos violento?
Como resolve os conflitos na sociedade?

Àqueles que pensam que o país está bem, procurem conhecer melhor o que é um Estado pacífico e por que o país precisa de uma purificação do sangue de inocentes.

Chega de violência neste país!

Queremos a paz e a tranquilidade para construirmos um Moçambique próspero.

Quem não quer ouvir denúncias, que se converta, pois ainda há tempo de conversão.

A mensagem que fica com a morte de Dom Osório é clara: o país não está bem. Os moçambicanos não estão bem.
A violência está cada vez mais grave.

É urgente e necessário que o Estado recupere a confiança, saiba administrar o país e devolva a confiança do povo.

Vamos assumir a realidade para juntos mudarmos o cenário.

Cada moçambicano assuma o seu papel de cidadão do bem.

Servo inútil,
Pe. Kwiriwi, CP

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