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Tensões no ANAMOLA: Raúl Novinte questiona democracia interna e Mondlane diz que saída foi voluntária

Novinte desafia liderança de Mondlane e expõe divergências internas no ANAMOLA

Por Quinton Nicuete

A relação entre Venâncio Mondlane e Raul Novinte, antigo coordenador regional norte da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), atravessa um período de forte desgaste político, marcado por acusações públicas e divergências sobre os rumos do partido.

Em declarações recentes, Raul Novinte questionou a democracia interna da formação política, apontando como exemplo a eleição de Venâncio Mondlane como candidato único durante a primeira Convenção Nacional do partido, realizada em Nampula.

Para Novinte, a ausência de concorrência interna levanta dúvidas sobre os princípios democráticos defendidos pelo ANAMOLA.

“Como é que um partido que se apresenta como democrático realiza um congresso com candidato único? Será que em todo o país não existem membros capazes de concorrer ao cargo?”, questionou.

O antigo dirigente afirmou ainda sentir-se marginalizado pela liderança do partido, alegando que foi afastado das estruturas sem qualquer explicação formal. Segundo Novinte, antes de se concluir que estaria envolvido noutros projectos políticos, a direcção deveria ter procurado ouvi-lo.

“Sou subordinado do presidente do partido. Se havia dúvidas sobre a minha posição, deveria ter sido contactado e questionado directamente”, declarou.

Por sua vez, Venâncio Mondlane rejeita as acusações e sustenta que Raul Novinte deixou o partido por decisão própria.

Em declarações à DW África, o presidente do ANAMOLA afirmou que Novinte “optou por largar” a formação política para seguir um projecto pessoal, negando qualquer expulsão ou exclusão promovida pela liderança.

A polémica surge poucos dias após a realização da primeira Convenção Nacional do ANAMOLA, durante a qual Mondlane foi eleito presidente do partido com 94 por cento dos votos dos delegados presentes.

Raul Novinte possui um percurso político marcado por várias mudanças partidárias. Em 2024 abandonou a RENAMO, regressando posteriormente à formação política após um apelo do líder Ossufo Momade para contribuir na união interna do partido. Contudo, voltou a afastar-se pouco tempo depois. Com a criação do ANAMOLA, foi indicado por Venâncio Mondlane para exercer as funções de coordenador regional norte.

As declarações agora tornadas públicas evidenciam fissuras internas numa organização política que procura consolidar-se como uma nova força da oposição moçambicana, ao mesmo tempo que enfrenta debates sobre liderança, democracia interna e gestão da diversidade de opiniões no seu seio. (Moz24h)

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