Por Quinton Nicuete
As investigações em torno da apreensão de 3,7 toneladas de fentanil no Aeroporto Internacional de Maputo ganharam um novo desenvolvimento com a detenção de um funcionário das Alfândegas de Moçambique, elevando para quatro o número de suspeitos detidos no âmbito do processo.
A informação consta de um comunicado do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), datado de 22 de Junho de 2026, que aponta para o envolvimento de um funcionário aduaneiro numa rede associada ao tráfico internacional de drogas.
Segundo as autoridades, a detenção representa mais um passo nas investigações destinadas a esclarecer as circunstâncias que permitiram a entrada e movimentação da carga ilícita através de uma das principais infraestruturas aeroportuárias do país.
O caso é considerado um dos mais graves registados nos últimos anos em Moçambique devido à quantidade da substância apreendida e à sua ligação a circuitos internacionais do narcotráfico. O fentanil é um opioide sintético extremamente potente, associado a milhares de mortes por overdose em diferentes regiões do mundo e frequentemente apontado como uma das drogas mais perigosas actualmente em circulação.
A detenção de um membro das Alfândegas levanta preocupações sobre possíveis infiltrações de redes criminosas em instituições responsáveis pelo controlo e fiscalização de mercadorias nas fronteiras nacionais.
As autoridades acreditam que o esquema poderá envolver uma estrutura organizada com ramificações nacionais e internacionais, razão pela qual as investigações continuam em curso para identificar outros possíveis envolvidos e apurar eventuais responsabilidades dentro de instituições públicas e privadas.
Até ao momento, o SERNIC não divulgou a identidade do funcionário detido nem detalhes adicionais sobre o papel que terá desempenhado na operação investigada.
O caso reforça os desafios enfrentados por Moçambique no combate ao tráfico internacional de drogas, num contexto em que o país continua a ser apontado como rota estratégica para redes criminosas que operam entre África, Ásia, Europa e América. (Moz24h)

