Por Quinton Nicuete
A Procuradoria Distrital de Ancuabe, em Cabo Delgado, libertou, poucas horas após a sua apresentação pública pela Polícia da República de Moçambique (PRM), os três indivíduos acusados de se fazerem passar por terroristas para pilhar bens e incendiar residências no posto administrativo de Meza.
Segundo fontes da Procuradoria distrital ouvidas pelo Moz24h, os suspeitos foram soltos ainda na segunda-feira por alegada insuficiência de provas no processo.
A libertação aconteceu cerca de uma hora depois de a PRM ter apresentado os indiciados à imprensa no distrito de Ancuabe, acusando-os de integrarem um grupo de cinco indivíduos que supostamente aproveitava o clima de medo provocado pelos ataques terroristas para saquear residências abandonadas pela população.
Durante a apresentação pública, a porta-voz do Comando Provincial da PRM em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, afirmou que os suspeitos eram acusados pela população de se fazerem passar por terroristas para intimidar moradores e praticar crimes.
“Estes indivíduos são acusados pela população daquela zona de terem se feito passar por terroristas, aproveitando-se da fragilidade da população e do medo instaurado para pilhar bens das residências abandonadas”, declarou Eugénia Nhamussua.
Segundo a PRM, o grupo era composto por cinco indivíduos, mas dois acabaram mortos após serem espancados pela população antes da chegada das autoridades.
A polícia dizia ainda que os suspeitos haviam sido enquadrados na Lei de Combate ao Terrorismo por alegadamente simularem acções terroristas para provocar pânico e facilitar actos de pilhagem nas aldeias afectadas pelos ataques insurgentes.
No entanto, contactado pelo Moz24h, o procurador distrital de Ancuabe, Betuel Ernesto Virgílio, distanciou-se da versão apresentada pela polícia e afirmou que os factos constantes do processo não correspondiam ao cenário descrito na apresentação pública.
“Primeiro, nós não recebemos nenhum jovem que se fez passar por terrorista. Vi aquela reportagem e os factos não correspondem a isso. Segundo, essa é uma informação processual que eu não posso revelar a quem não é parte do processo”, declarou Betuel Ernesto Virgílio Betuel.
Durante a apresentação pública, os suspeitos negaram qualquer envolvimento em actos criminosos, afirmando que apenas fugiam da violência registada na região mineira de Maramano quando foram confundidos e agredidos pela população.
“Vínhamos da mina e estávamos a fugir do incêndio. Fomos surpreendidos pela população que começou logo a agredir-nos”, declarou um dos então detidos.
O caso está a gerar várias interpretações no distrito de Ancuabe, numa altura em que comunidades de Meza continuam a viver sob forte clima de medo devido às recentes incursões armadas em Namacuili, Nacoja, Nacole e Minheuene, onde dezenas de pessoas foram mortas, residências incendiadas e milhares de famílias deslocadas. (Moz24h)

