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PRM apresenta três suspeitos acusados de se fazerem passar por terroristas em Ancuabe

Por Quinton Nicuete

 

 

Dias depois da circulação de informações sobre a morte de pelo menos 27 pessoas em ataques atribuídos a insurgentes no posto administrativo de Meza, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, a Polícia da República de Moçambique (PRM) apresentou, nesta segunda-feira, três indivíduos suspeitos de se fazerem passar por terroristas para protagonizar actos de pilhagem, furtos e incêndio de residências.

Segundo a porta-voz do Comando Provincial da PRM em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, os suspeitos integravam um grupo de cinco indivíduos que actuava aproveitando-se do clima de medo instalado nas comunidades afectadas pelos ataques armados.

“Estes indivíduos são acusados pela população daquela zona de terem se feito passar por terroristas, aproveitando-se da fragilidade da população e do medo instaurado para pilhar bens das residências abandonadas”, declarou Eugénia Nhamussua.

De acordo com a PRM, os suspeitos terão sido surpreendidos pela população quando tentavam entrar numa aldeia supostamente com o objectivo de saquear bens deixados pelas famílias que fugiam dos ataques insurgentes.

A porta-voz explicou que os cinco indivíduos foram inicialmente neutralizados pela população, mas dois acabaram por morrer na sequência de agressões físicas antes da chegada das autoridades.

“Infelizmente, dois acabaram perdendo a vida porque foram gravemente feridos e não resistiram aos ferimentos”, afirmou.

Segundo a polícia, os três sobreviventes apresentam vários ferimentos resultantes do espancamento e encontram-se detidos enquanto decorrem os trâmites legais.

As autoridades referem ainda que os suspeitos não são residentes das comunidades afectadas, facto que terá levantado desconfiança entre os moradores.

“Enquanto a população fazia o movimento inverso, abandonando aquelas zonas para locais mais seguros, estes indivíduos dirigiam-se para as aldeias para aproveitar-se da fragilidade das residências desguarnecidas”, acrescentou a porta-voz.

A PRM afirma que os detidos foram enquadrados na lei de combate ao terrorismo, que prevê penas para indivíduos que se aproveitem de contextos de insegurança para se fazer passar por terroristas ou colaborar com actos que provoquem pânico nas comunidades.

“O processo já foi remetido ao Ministério Público para continuação da investigação e responsabilização dos envolvidos, caso se comprovem os factos”, disse Eugénia Nhamussua.

Durante a apresentação pública, os indiciados negaram envolvimento em actos criminosos e afirmaram que apenas fugiam da violência registada na região mineira de Maramano, quando foram confundidos pela população.

“Vínhamos da mina e estávamos a fugir do incêndio. Não sabíamos de onde os homens vinham. Quando tentávamos sair pela mata, fomos surpreendidos pela população que começou logo a agredir-nos”, declarou um dos detidos.

Os suspeitos afirmaram ainda que alguns moradores das comunidades os conhecem e podem testemunhar que não pertencem a qualquer grupo armado.

A apresentação dos detidos ocorre numa altura em que persistem relatos de violência em várias comunidades do posto administrativo de Meza, incluindo Namacuili, Nacoja, Nacole e Minheuene, onde dezenas de pessoas foram mortas, residências incendiadas e milhares de famílias obrigadas a abandonar as suas casas.

Até ao momento, as autoridades ainda não divulgaram um balanço oficial completo sobre o número de vítimas mortais e os danos provocados pelos recentes ataques armados em Ancuabe. (Moz24h)

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