Já passaram várias semanas desde que vieram a público as conclusões da auditoria interna à gestão das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).
O relatório apresenta uma série de irregularidades na gestão da companhia que causaram prejuízos avultados ao Estado, nomeadamente a aquisição de aeronaves obsoletas no “mercado negro”, a falta de transparência nos contratos de aluguer de aviões em regime Aircraft, Crew, Maintenance, and Insurance (ACMI), o mais oneroso na indústria da aviação, a governação improvisada da empresa e um sistema de controlo interno praticamente inexistente.
Perante conclusões desta gravidade, o país esperava uma resposta rápida das autoridades responsáveis pela investigação criminal. O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) até deu os primeiros sinais de actuação.
De fontes internas da LAM, ficámos a saber que equipas do GCCC deslocaram-se às instalações da LAM, recolheram o relatório de auditoria e solicitaram um conjunto de documentos aos gestores da companhia, incluindo a membros do Conselho de Administração (CA), considerados essenciais para o aprofundamento das investigações.
Mas, depois disso, instalou-se um silêncio barulhento, difícil de compreender.Não se sabe se foram instaurados processos, se existem arguidos, se foram adoptadas medidas para proteger o património público.
Num Estado de Direito, este silêncio não ajuda a justiça. Pelo contrário, alimenta dúvidas e enfraquece a confiança dos cidadãos nas instituições responsáveis pelo combate à corrupção.(CDD)
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