Por Quinton Nicuete
Maputo, 8 de Julho de 2025 — Foi assinado esta segunda-feira, na capital moçambicana, o acordo que marca o início da terceira fase do projecto “Ela Lidera a Paz”, uma iniciativa que visa consolidar o papel das mulheres e raparigas nos processos de paz, segurança e recuperação em Moçambique.
A cerimónia contou com a presença da representante da ONU Mulheres, Marie Laetitia Kayisire, que alertou para o risco de retrocessos na igualdade de género e apelou ao reforço do financiamento de iniciativas que colocam as mulheres no centro da tomada de decisões.
“Apesar dos avanços, continua a verificar-se uma sub-representação das mulheres nas negociações de paz. O subfinanciamento limita o impacto e perpetua a exclusão”, afirmou Kayisire.
O projecto, com execução prevista até 2027, resulta de uma parceria entre a ONU Mulheres, o Governo do Reino da Noruega, o Governo de Moçambique e organizações da sociedade civil. O seu principal objectivo é garantir que as mulheres afectadas por conflitos participem activamente e influenciem os processos de construção da paz no país.
Durante a cerimónia, foram destacados os principais resultados das fases anteriores: mais de 10 mil mulheres beneficiadas em programas de recuperação socioeconómica, reforço da participação política durante as eleições de 2024, bem como a criação e fortalecimento das redes Sentinelas da Paz e Campeões da Paz, com actuação directa nas comunidades.
Contudo, os desafios persistem.
“As mulheres continuam entre os grupos mais afectados por conflitos, catástrofes climáticas e instabilidade económica, mas permanecem pouco representadas nos processos de decisão”, sublinhou a representante da ONU Mulheres.
A fase agora lançada contempla acções concretas, nomeadamente a capacitação de lideranças femininas, o apoio psicossocial em zonas de conflito, o acesso à justiça sensível ao género e o reforço de mecanismos de subsistência para as populações mais vulneráveis.
Este novo acordo é assinado num ano simbólico, que assinala os 30 anos da Plataforma de Acção de Beijing e os 25 anos da Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ambos marcos fundamentais na promoção dos direitos das mulheres em contextos de conflito e construção da paz.
“Quando as mulheres lideram, a paz acontece”, foi o lema reiterado no encerramento do evento, que contou ainda com a presença de representantes do Governo moçambicano e da diplomacia norueguesa. Moz24h
