Por Quinton Nicuete
O director Executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, lançou duras críticas ao chamado Diálogo Nacional Inclusivo, classificando-o como um processo fechado, elitista e distante das reais preocupações dos cidadãos. A posição foi tornada pública através de um discurso divulgado no seu canal oficial do Facebook.
Segundo Nuvunga, o diálogo falha logo no seu princípio fundamental: a inclusão. Para o activista, as partes verdadeiramente desavindas com o processo político e social do país não estão representadas. “Este diálogo que se diz inclusivo, de inclusivo não tem nada”, afirmou, questionando repetidamente a ausência daqueles que, na sua visão, são a razão principal da existência do próprio diálogo.
O director do CDD rejeitou a ideia de que o processo tenha sido desencadeado por disputas entre partidos políticos da oposição. Para ele, o centro do problema não está na Renamo, no Podemos ou no MDM. “Não é por causa desses partidos que há este diálogo. É porque o povo zangou”, sublinhou.
Nuvunga defende que o descontentamento popular resulta do cansaço acumulado face à falta de respeito pela vontade dos cidadãos. No entanto, questiona onde está esse mesmo povo no actual processo de diálogo. “Onde está o povo aqui? Em que formato o povo está a participar deste diálogo?”, interrogou, concluindo que a participação popular é meramente simbólica ou inexistente.
Na sua análise, o espaço de diálogo é dominado pelo partido no poder. “Aqui está a Frelimo, que é o governo, que é aquilo contra o que o povo zangou”, afirmou, acrescentando que os outros partidos presentes são vistos como parte de um mesmo círculo político, historicamente afastado das tensões reais vividas pela população.
Para Adriano Nuvunga, a grande falha do Diálogo Nacional Inclusivo está precisamente na ausência de representantes legítimos do povo. “Onde está aqui quem representa o povo?”, questionou, reforçando a ideia de que o processo, tal como está concebido, não responde à crise de confiança entre os cidadãos e as instituições do Estado.
As declarações reacendem o debate público sobre a legitimidade, a representatividade e a eficácia do Diálogo Nacional Inclusivo, num contexto marcado por crescente contestação social e exigências de reformas profundas no sistema político moçambicano. Moz24h

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