Moçambique registou cerca de 8,7 milhões de casos de malária nos primeiros nove meses de 2026, contra 10,4 milhões no período homólogo de 2025. O Ministério da Saúde (MISAU) anunciou uma redução de 17%, embora a doença continue a constituir um dos principais desafios de saúde pública do País.
Os dados foram apresentados esta quarta-feira, 21 de Outubro, pelo director nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, na abertura da 15.ª reunião anual do Grupo de Trabalho de Manejo de Casos de Malária da Parceria Roll Back Malaria, em Maputo.
“Embora estes resultados sejam encorajadores, sabemos que a doença continua a representar um importante desafio para a nossa resposta nacional”, afirmou o responsável, citado pela Lusa.
Segundo Quinhas Fernandes, diminuiu também o peso da malária nas consultas externas das unidades sanitárias. A evolução segue-se ao aumento dos casos registado em 2025, acima das tendências habitualmente observadas no País.
No domínio da prevenção, o responsável destacou a distribuição de cerca de 14,8 milhões de redes mosquiteiras, que, segundo os números apresentados, beneficiou um número equivalente de pessoas. Mais de 1,2 milhão de mulheres grávidas recebeu igualmente redes tratadas com insecticida durante as consultas pré-natais.
As autoridades prosseguiram ainda as campanhas de pulverização intradomiciliária nas províncias do sul, região onde o MISAU considera existirem condições mais favoráveis para avançar progressivamente para a eliminação da doença.
Apesar dos progressos, Quinhas Fernandes alertou para os obstáculos colocados pelos fenómenos climáticos extremos, referindo a frequência dos ciclones e as cheias que afectaram o sul do País.
“Quase todos os anos registamos ciclones”, afirmou, acrescentando que estes fenómenos complicam os esforços de controlo da malária.
As inundações podem favorecer a formação de locais de reprodução dos mosquitos transmissores e dificultar o acesso das populações aos serviços de saúde, comprometendo também as intervenções de prevenção.
“A oportunidade que a evolução tecnológica e a inteligência artificial nos dá pode garantir que isto seja usado a nosso favor para acelerarmos os nossos progressos”
Quinhas Fernandes – director nacional de Saúde Pública
Para consolidar a redução dos casos, o MISAU defende o reforço da vigilância epidemiológica, a melhoria dos sistemas de informação e uma maior participação dos agentes comunitários de saúde na identificação e acompanhamento dos doentes.
Entre as prioridades estão o diagnóstico atempado, o tratamento precoce e o encaminhamento dos casos graves para unidades sanitárias de referência. O responsável apelou também a uma utilização mais eficiente dos recursos, para assegurar a continuidade das intervenções.
Quinhas Fernandes destacou ainda o potencial das novas tecnologias para melhorar a resposta sanitária. “A oportunidade que a evolução tecnológica e a inteligência artificial nos dá pode garantir que isto seja usado a nosso favor para acelerarmos os nossos progressos”, declarou.
A redução anunciada para 2026 sucede a um agravamento dos indicadores no ano anterior. Dados do Programa Nacional de Controlo da Malária apontam para 496 óbitos intra-hospitalares em 2025, contra 358 em 2024, um aumento de cerca de 39%.
Nas primeiras seis semanas de 2026, as autoridades tinham contabilizado 49 mortes e aproximadamente 1,36 milhão de casos, números relativos a um período mais curto do que o balanço agora apresentado.
Segundo o Relatório Mundial da Malária de 2025, da Organização Mundial da Saúde (OMS), a região africana da organização concentrou 94% dos casos e 95% das mortes estimados a nível mundial em 2024. (DR)

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