Jambo, Ouagadougou!
(Olá, Ouagadougou!)
Por Ismael Miquidade, para Mahigo Conceicao Miquidade
Do Ruvuma ao Maputo ecoa a voz,
Crianças estudam sob árvores em flor,
Faça sol, faça chuva, aprende-se após,
No chão da herança germina o saber e o amor.
Nos salões do poder, promessas vãs,
Oferecem tractores ao povo a andar,
Como se não bastassem os myloves nas mãos,
Soluções grotescas para nos humilhar.
Urnas ferem, leis perversas se impõem,
Polícias calaram o clamor da multidão,
Mas nos quatro cantos, o povo responde e põe
As suas credenciais e firme determinação.
Em Bamaco, à noite, barricadas ardentes,
A junta prende generais, acusa de trair,
Estudantes marcham com brados insistentes,
Mostrando que o poder só se deve ouvir.
No Sudão do Sul, aldeias sofrem e ardem,
Mas nas praças, campos, a esperança se ergue,
Jovens se erguem, muralhas que nunca tarde,
Com música e debates, a consciência segue.
Em Nairobi, as ruas pararam de repente,
Jovens ergueram cartazes, vozes em ação,
A democracia mostrou que não é presente,
Mas conquista de cada mão e coração.
Nos bairros e aldeias, hospitais clamam,
Escolas pedem, a fome encara o lar,
A terra africana, em gritos, não se dobra,
A elite saqueadora não mais vai mandar.
De Ouagadougou a Maputo, a história ecoa,
Ritmos, barricadas, lutas atravessam o chão,
O continente desperta, sua unidade entoa,
Reescrevendo o futuro em triunfo final.
