As autoridades Moçambicanas detiveram quatro pessoas, entre as quais o diretor-geral do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), suspeitas de envolvimento em corrupção e instrumentalização de concursos para desvio de fundos.
Trata-se de Joaquim Moisés Siúta detido na manhã de 06.04.2026 juntamente com seus subordinados, ou seja, o Director da Área Fiscal e o Director da UGEA ( Unidade Gestora Executora das Aquisições),
A detenção dos quadros seniores do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), um técnico da UGEA e um empresário por alegada prática de crimes de corrupção.
“O INSS como Boca de Alimentação das Elites Políticas
Nos últimos anos, o INSS tem-se convertido num dos instrumentos silenciosos mas letais de redistribuição regressiva da riqueza nacional. Longe de ser um organismo blindado ao arbítrio político, tem servido como alavanca para financiar empreendimentos falhados, campanhas eleitorais, especulações imobiliárias sem retorno e negócios obscuros com garantias estatais. As auditorias raramente são publicadas; as decisões de investimento carecem de transparência; e os beneficiários reais mantêm-se no conforto da impunidade.
Este modus operandi inscreve-se naquilo que a literatura de ciência política designa como captura institucional, em que estruturas supostamente autónomas se tornam subsidiárias de interesses privados, com aparência pública. Assim, o INSS transforma-se de fundo de solidariedade intergeracional em fonte de lubrificação de redes clientelares.” https://moz24h.co.mz/o-inss-ao-servico-da-falencia-programada-do-partido-estado-em-mocambique/
Os casos relativamente aos escândalos no (INSS) remontam faz uma década
Da detenção em 2019 de Helena Taipo antiga ministra do Trabalho e ex-embaixadora de Moçambique em Angola numa terça-feira em Maputo indiciada de desvio de fundos do INSS para pagar subornos, segunda feira ultima foi a vez do director da mesma instituição Joaquim Moisés Siuta e seus sequazes.
A novela continua num Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) marcado por períodos nebulosos desde a sua criação. A recente detenção da sua cúpula administrativa, em abril de 2026, representa apenas o capítulo mais recente de uma longa cronologia de escândalos que, ao longo de mais de uma década, terão drenado centenas de milhões de meticais destinados à proteção social dos trabalhadores moçambicanos.
A crise atual atingiu o seu ponto mais crítico com a detenção de Joaquim Moisés Siúta, Diretor-Geral da instituição desde de 2021. Siúta, juntamente com o Diretor de Administração e Finanças (DAF), o chefe da Unidade Gestora de Aquisições (UGEA) e um empresário, encontra-se em prisão preventiva.
Taipo foi apontada como figura central num esquema de corrupção que envolveu o recebimento de subornos e o desvio de cerca de 100 milhões de meticais e condenada a 16 anos de prisão em 2022 num processo que expôs fragilidades profundas na gestão dos fundos da segurança social e confirmou que recursos destinados aos pensionistas estavam a ser canalizados para interesses privados.
Em 2021 o Tribunal Superior de Recurso decidia assim soltar antiga Governadora de Sofala e antiga ministra do Trabalho e Segurança Social, Taipo, depois de ficar dois em anos em prisão preventiva.
Em 2018, uma auditoria identificou a existência de 710 “pensionistas fantasma”, levando à detenção de técnicos que introduziam dados fictícios para desviar pagamentos mensais.
Já entre 2024 e 2025, novas investigações culminaram na detenção de mais de 20 funcionários. Segundo as autoridades, os suspeitos utilizavam acessos privilegiados para transferir cerca de 490 milhões de meticais para contas de familiares e cúmplices, simulando pagamentos de retroativos.
Os indícios de corrupção não se limitaram à capital. Em 2011, um caso registado na província de Tete resultou no desvio de 13,3 milhões de meticais e na condenação de sete funcionários, incluindo o Delegado Provincial.
O Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) em Tete tem sido palco de graves irregularidades financeiras. Embora os dados mais recentes de 2026 apontem para detenções de altos quadros a nível nacional, registos anteriores indicam casos graves na província, incluindo o julgamento de 13 funcionários acusados de desviar mais de 67 milhões de meticais foram a julgamento, um valor significativamente alto que destaca a vulnerabilidade dos cofres locais. Os desvios envolvem métodos como a manipulação de concursos públicos e sistemas paralelos de transferências bancárias.Contudo, o dinheiro nunca é devolvido! (Moz24h)

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