A 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) abre esta segunda-feira, 31 de Agosto, no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, distrito de Marracuene, província de Maputo, reunindo empresas, investidores e instituições públicas de cerca de 30 países. O certame prolonga-se até 6 de Setembro.
Os dados mais recentes disponibilizados pela Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) apontam para a participação de 3150 expositores, dos quais 2500 são nacionais e 650 estrangeiros. A organização estima igualmente receber cerca de 55 mil visitantes ao longo dos sete dias.
O novo balanço actualiza e torna mais precisas as estimativas preliminares divulgadas pelo Diário Económico na sexta-feira, quando se antecipava a presença de cerca de três mil expositores nacionais e mais de 500 empresas estrangeiras.
Segundo a APIEX, todos os espaços disponíveis para exposição foram ocupados antes da abertura, um indicador do interesse gerado pela feira entre empresas nacionais e estrangeiras. A edição de 2026 contará com representantes das 11 províncias, pavilhões dedicados às micro, pequenas e médias empresas, sectores considerados estratégicos, ministérios, instituições públicas e delegações empresariais internacionais.
Participação Pode Crescer 25% Face a 2025
A comparação com a edição anterior ajuda a enquadrar a dimensão das expectativas. No balanço oficial da FACIM 2025, o Governo registou a participação efectiva de 2334 expositores nacionais e 180 estrangeiros, provenientes de 28 países — um total de 2514 participantes.
Caso todas as presenças confirmadas para este ano se materializem, a FACIM terá cerca de 636 expositores adicionais, correspondentes a um crescimento próximo de 25% face ao resultado efectivo de 2025. O aumento será particularmente expressivo na componente internacional, que poderá passar de 180 para 650 expositores.
A dimensão física, porém, será apenas uma parte da avaliação. A APIEX pretende acompanhar o número de acordos celebrados, manifestações de interesse em investir, intenções de importação de produtos moçambicanos e encontros empresariais realizados durante o certame.
A referência deixada pela edição anterior é relevante: empresas nacionais assinaram perto de 815 acordos de negócios e investimento, resultantes de mais de 1170 contactos empresariais. Superar estes indicadores permitirá perceber se o crescimento do número de expositores está, efectivamente, a produzir mais negócios.
Brasil e Niassa em Destaque
O Brasil participa como País de Honra, enquanto o Niassa assume a posição de Província de Honra. A programação inclui fóruns empresariais entre Moçambique e alguns dos seus principais parceiros económicos, nomeadamente Brasil, China e Emirados Árabes Unidos.
Estes encontros deverão apresentar oportunidades concretas de investimento, promover reuniões entre empresas e facilitar contactos com representantes do Governo, instituições financeiras e entidades responsáveis pela implementação de projectos públicos e privados.
A edição decorre sob o lema “Transformação Digital e Energética Rumo a Uma Economia Sustentável”, reflectindo a intenção de associar a feira à modernização da economia e ao novo ciclo de investimentos previsto para sectores como energia, infra-estruturas, agro-indústria, logística, turismo, serviços financeiros e tecnologias digitais.
Entre as novidades está a digitalização de várias etapas da participação: inscrições, reserva e pagamento de stands, consulta do programa, marcação de reuniões e realização de encontros empresariais B2B passam a ser apoiados por plataformas digitais.
Portugal Leva Mais de 100 Empresas
Portugal terá uma das presenças empresariais mais significativas. Mais de 100 empresas de capitais portugueses são esperadas na FACIM, cerca de duas dezenas das quais com espaços próprios de exposição.
A delegação será acompanhada pelo secretário de Estado da Economia de Portugal, João Rui Ferreira, e pela presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Madalena Oliveira e Silva. O stand institucional português deverá funcionar como ponto de encontro entre empresas, investidores e entidades públicas e privadas dos dois países.
A presença ganha peso num mercado onde operam quase 500 empresas de capitais portugueses e para o qual exportam mais de 1100 empresas de Portugal. Em 2025, as trocas comerciais de bens entre os dois países ultrapassaram 193 milhões de euros, mantendo Portugal entre os principais fornecedores de Moçambique.
A agenda portuguesa prossegue na terça-feira, 1 de Setembro, com o Fórum Empresarial Moçambique-Portugal 2026, dedicado à competitividade, segurança jurídica, conteúdo local e novas oportunidades de investimento.
Impacto Vai Além do Recinto
A movimentação de milhares de expositores, visitantes e delegações deverá produzir efeitos imediatos na economia da província de Maputo, particularmente nos serviços de alojamento, restauração, transportes, segurança, logística e montagem de infra-estruturas. A feira deverá igualmente gerar postos de trabalho temporários e aumentar as vendas de fornecedores formais e informais na região de Marracuene.
No plano estrutural, a FACIM procura posicionar-se como uma porta de entrada para o investimento e uma plataforma de promoção das exportações moçambicanas. O objectivo é aproximar produtores nacionais de compradores estrangeiros, integrar pequenas empresas nas cadeias de fornecimento e apresentar oportunidades de negócio nos sectores prioritários da economia.
Com todos os espaços de exposição ocupados, o primeiro indicador de procura está alcançado. O balanço decisivo, contudo, virá depois de 6 de Setembro: quantos dos contactos estabelecidos em Ricatla se transformarão em contratos, exportações, financiamento e investimento produtivo para Moçambique.

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