Economia

Exportações da Mozal Alcançaram 1,3 Mil Milhões de Dólares Antes do Fim Das Operações

Lusa

As receitas da exportação de alumínio por Moçambique atingiram um máximo de 1,3 mil milhões de dólares em 2025, pouco antes do encerramento da Mozal, a maior indústria nacional. Totalmente dependente desta fundição, o desempenho reflecte um crescimento expressivo do sector. Este resultado surge num ano marcado por mudanças estruturais relevantes.

De acordo com dados compilados pela Lusa, com base no mais recente relatório do Banco de Moçambique (BdM), o valor registado entre Janeiro e Dezembro de 2025 representa um aumento de quase 20% face aos 1,1 mil milhões de dólares de 2024. Trata-se de uma evolução significativa nas exportações nacionais. O alumínio reforçou assim o seu peso na economia.

O banco central já havia explicado, num relatório anterior, que o crescimento das exportações de barras de alumínio foi “impulsionado tanto pelo aumento dos preços como pelo crescimento do volume exportado”. Estes dois factores foram determinantes. Juntos, ajudaram a sustentar o desempenho positivo do sector ao longo do ano.

Apesar deste crescimento, a australiana South32 confirmou, a 16 de Março, que a Mozal entrou em regime de manutenção e conservação desde o dia anterior. A medida implicou a suspensão da produção. A empresa prevê gastar 52,4 milhões de euros com esta decisão, incluindo custos com despedimentos.

“Nos últimos seis anos, envolvemo-nos extensivamente com o Governo da República de Moçambique, com a Eskom e com outras partes interessadas, mas não conseguimos garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a Mozal para além de Março de 2026”, afirmou o director-executivo da South32, Graham Kerr.

Sem produção desde então, a empresa prevê um custo total de 52,4 milhões de euros, incluindo a “rescisão de contratos”. Este valor reflecte o impacto directo da paralisação. Só a manutenção anual da unidade deverá custar cerca de 5 milhões de dólares.

“Embora este não seja o desfecho que desejávamos, orgulhamo-nos da história e da contribuição significativa que a Mozal deu à comunidade local e à economia moçambicana nos seus 25 anos de operação”, acrescentou Graham Kerr. O responsável destacou o papel histórico da fundição no País.

O encerramento já começou a afectar o tecido empresarial associado à Mozal. Pelo menos cinco empresas encerraram antes da suspensão das actividades. Além disso, cerca de 25 prestadoras de bens e serviços ponderam seguir o mesmo caminho, segundo o director-geral da Mozparks, Onório Manuel.

“Já nos foi comunicado que a maioria destas empresas está a considerar accionar mecanismos na mesma proporção”, disse Onório Manuel. O responsável alertou ainda para um impacto “nefasto” no crescimento do Parque Industrial de Beluluane, e acrescentou que o Produto Interno Bruto poderá ser afectado, uma vez que a Mozal representava quase metade da contribuição da indústria transformadora. (DR)

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