Moçambique marca presença na AIJC 2025 enquanto África celebra a excelência do jornalismo investigativo
Por Quinton Nicuete em JHB
O jornalista sul-africano Dewald van Rensburg, da unidade de jornalismo investigativo amaBhungane, foi distinguido com o título de Jornalista Investigativo Africano do Ano 2025 durante a cerimónia anual dos Prémios Africanos de Jornalismo Investigativo (AIJC), realizada na noite de quarta-feira na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul.
O evento, que reuniu profissionais de comunicação de todos os 54 países africanos, destacou-se como um dos maiores encontros de jornalistas investigativos do continente. Moçambique esteve representado por quatro jornalistas: Quinton Nicuete, de Cabo Delgado, Susana Chauzo e Alexandre Nhampossa, de Maputo, ambos na qualidade de oradores, e Fernando Lima, também orador e membro do júri internacional.


Van Rensburg foi premiado pela série de reportagens intitulada “Cidade do Ouro”, um trabalho de fôlego que desvenda as engrenagens do comércio ilícito de ouro e das operações financeiras clandestinas que têm drenado milhares de milhões de rands dos cofres públicos sul-africanos. A investigação faz parte do projeto mais vasto “The Laundry” (A Lavandaria), no qual o repórter expõe as falhas de fiscalização e os esquemas de corrupção que sustentam uma rede internacional de lavagem de dinheiro.
O segundo lugar foi atribuído ao gambiano Mustapha K. Darboe, do jornal The Republic, pela investigação “Os bens do ex-ditador foram vendidos por uma ninharia”, que denuncia alegadas irregularidades na venda de propriedades confiscadas ao antigo presidente Yahya Jammeh. Já o terceiro prémio coube aos ganeses Seth Bokpe e Edmund Agyemang Boateng, do The Fourth Estate, pela reportagem “Invasão Florestal”, que revelou como políticos e empresários obtiveram licenças de mineração em reservas florestais protegidas.
Durante a cerimónia, Gwen Lister, coordenadora do júri, elogiou a qualidade das investigações apresentadas este ano, sublinhando “a coragem e a resiliência dos jornalistas africanos que continuam a expor injustiças, muitas vezes em condições adversas”.
Na sessão de abertura, o editor-chefe do Nation Media Group, Dr. Joe Ageyo, enalteceu o papel do jornalismo investigativo no fortalecimento da democracia. “Os inimigos da verdade estarão sempre entre nós. Eles ameaçarão e tentarão silenciar, mas enquanto continuarmos a investigar e a expor os factos, as trevas jamais prevalecerão”, afirmou.
Os Prémios Africanos de Jornalismo Investigativo, apoiados pela Absa Africa, integram a Conferência Africana de Jornalismo Investigativo,

organizada pelo Centro de Jornalismo da Universidade de Witwatersrand. A próxima edição, a AIJC 2026, já tem local e data marcados: realizar-se-á em Nairóbi, no Quénia, de 10 a 12 de Novembro de 2026. Moz24h
