INTEGRITY-MOÇAMBIQUE, 01 de Setembro de 2026-A sucessão no Banco de Moçambique sofreu uma reviravolta inesperada em menos de 24 horas. Após nomear Waldemar Fernando de Sousa para Governador e Felisberto Dinis Navalha para Vice-Governador, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, revogou os dois despachos, alegando “questões supervenientes”, e acabou por colocar Navalha no topo da hierarquia do Banco Central.
A mudança transforma Felisberto Dinis Navalha de candidato a número dois da instituição em Governador do Banco de Moçambique, numa das mais rápidas alterações de uma decisão presidencial recentemente conhecida.
Mas afinal, quem é o homem que passa a assumir a liderança da instituição responsável pela política monetária e cambial do país?
Felisberto Dinis Navalha é economista moçambicano, mestre em Economia do Desenvolvimento e doutorando em Economia pela Universidade Católica de Moçambique, em parceria com a Faculdade de Economia da Universidade do Porto, em Portugal.
É licenciado em Economia pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), formação concluída em 1996, e obteve o mestrado em Economia do Desenvolvimento em 2012.
A sua carreira está fortemente ligada ao Banco de Moçambique. Trabalhou na instituição entre 1996 e 2022, período durante o qual ocupou diferentes funções técnicas e de gestão.
Entre 2011 e 2017, dirigiu o Departamento de Estudos Económicos do Banco de Moçambique, uma área estratégica para a análise da economia nacional e para o apoio à tomada de decisões de política monetária.
Mais tarde, entre 2017 e 2022, integrou o Conselho de Administração do Banco de Moçambique como Administrador e membro do órgão de gestão da instituição.
Do segundo lugar ao comando
A nomeação de Navalha ganha particular destaque pelo contexto em que ocorre.
Na Segunda-feira, 31 de Agosto, o seu nome aparecia como escolha para Vice-Governador, enquanto Waldemar de Sousa era indicado para Governador. Menos de 24 horas depois, a configuração mudou completamente.
Chapo revogou os despachos anteriores e nomeou Navalha Governador, enquanto Benedita Manuel Guimino passou a ocupar o cargo de Vice-Governadora.
A Presidência não detalhou as razões que estiveram na origem da alteração, limitando-se a referir “questões supervenientes”.
Um perfil conhecido no Banco Central
A escolha de Navalha coloca no comando do Banco de Moçambique um economista com longa experiência interna na instituição e conhecimento das áreas de estudos económicos, administração e gestão do Banco Central.
Como Governador, passa a presidir ao Conselho de Administração, representar o Banco de Moçambique perante o Governo e organismos nacionais e internacionais e exercer as competências legalmente atribuídas ao titular da instituição.
A mudança deixa, contudo, uma questão política em aberto: o que levou o Presidente Chapo a alterar, em menos de um dia, a composição da liderança do Banco de Moçambique?
A Presidência fala em “questões supervenientes”, mas não esclarece publicamente quais foram essas questões.
O episódio coloca Felisberto Dinis Navalha no centro de uma das mais inesperadas reviravoltas institucionais do actual mandato presidencial. (Nando Mabica)

