A crise de combustível continua a afectar a cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado, apesar das garantias das autoridades provinciais de que a chegada de um carregamento de cerca de 3,6 milhões de litros de gasolina ao porto local permitiria aliviar a situação.
Na segunda-feira (28), o director dos Serviços de Infraestruturas de Cabo Delgado, Norte Luane, anunciou que um navio já se encontrava atracado no porto de Pemba e em processo de descarga, prevendo que as primeiras gasolineiras retomassem a venda a partir desta terça-feira (29).
Entretanto, a disponibilidade de combustível nos postos de Pemba continua a não corresponder às expectativas criadas pelo anúncio oficial, mantendo-se as dificuldades de abastecimento e a procura elevada.
As autoridades haviam garantido que o produto seria disponibilizado às diferentes gasolineiras da província, mas a chegada do combustível ao terminal não significou, por si só, a sua disponibilidade imediata e generalizada nos postos de abastecimento.
Durante a conferência de imprensa, Norte Luane reconheceu, aliás, que a quantidade recebida não permite afirmar que a crise esteja definitivamente resolvida.
“Não queremos dizer que vamos resolver definitivamente o problema, mas vai ajudar bastante”, declarou o responsável.
A posição oficial contrasta com a realidade enfrentada pelos consumidores que continuam à procura de gasolina em Pemba, num cenário marcado por filas, procura elevada e dificuldade em encontrar o produto.
A própria fiscalização provincial reconheceu a dimensão dos constrangimentos. Segundo o chefe do Departamento de Inspecção e Fiscalização de Energia Eléctrica e Combustíveis, Bernardino Júnior Bernardo, Cabo Delgado possui 52 postos de abastecimento, dos quais 20 estão em Pemba, mas 12, em toda a província, encontram-se actualmente inoperacionais.
O responsável apontou ainda dificuldades de abastecimento nos distritos, onde cerca de 90% dos postos administrativos não dispõem de uma gasolineira.
Autoridades dizem que não há escala de distribuição
Perante as queixas de consumidores sobre a existência de postos que recebem combustível enquanto outros permanecem sem produto, Norte Luane negou a existência de uma orientação governamental para estabelecer uma escala de funcionamento das gasolineiras.
Segundo explicou, os operadores levantam combustível em momentos diferentes no terminal, razão pela qual alguns postos conseguem receber o produto antes de outros.
O Governo afirma ter aberto a possibilidade de todas as gasolineiras com capacidade financeira adquirirem directamente o combustível disponível no terminal, numa tentativa de acelerar a reposição dos stocks.
Mas a questão permanece: se o produto já chegou a Pemba, quando estará efectivamente disponível de forma regular para os consumidores?
Esta é uma das principais dúvidas deixadas pela actual crise.
IGREME admite denúncias de possíveis esquemas, mas diz não ter provas
A escassez também alimentou denúncias sobre alegados esquemas nos postos de abastecimento, incluindo supostos favorecimentos de determinados clientes.
Questionado sobre estas acusações, Bernardino Júnior Bernardo afirmou que a fiscalização já recebeu informações nesse sentido, mas ainda não encontrou provas concretas que permitam confirmar a existência dos alegados esquemas.
O inspector admitiu, contudo, que a possibilidade deve ser investigada e garantiu o reforço das operações de fiscalização.
“Pode ser verdade”, afirmou, ressalvando que a confirmação depende da recolha de evidências.
Segundo o responsável, as equipas de fiscalização têm realizado operações nos postos e contra a venda informal de combustível.
Até ao momento, foram apreendidos 1.800 litros, aos quais se juntaram posteriormente cerca de 400 litros, segundo os dados apresentados pelas autoridades.
As multas aplicadas no âmbito das infracções relacionadas com o combustível aproximam-se, de acordo com o inspector, dos 600 mil meticais.
Governo pede calma aos mototaxistas
A escassez de gasolina também está a afectar directamente os mototaxistas, cuja actividade depende diariamente da disponibilidade de combustível.
Norte Luane apelou aos operadores para que não avancem com manifestações, assegurando que o Governo está a trabalhar com os gestores das gasolineiras para melhorar a distribuição.
As autoridades defendem que o novo carregamento deverá permitir aliviar a pressão sobre os postos.
Contudo, enquanto o combustível não chega efectivamente aos consumidores em quantidade suficiente e de forma regular, a crise continua a ser sentida nas ruas de Pemba.
A chegada de 3,6 milhões de litros representa um reforço importante do stock provincial. Mas, perante a persistência das dificuldades de abastecimento, permanece por responder uma questão central: quanto tempo será necessário para que o combustível anunciado no porto se transforme em combustível disponível nas bombas? (Moz24h)

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