Por Mamadou António
A recente indicação de que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pretende enviar uma missão de alto nível à Guiné-Bissau, assim que a presidência timorense estiver plenamente operacional, exige mais do que prudência diplomática. Exige clareza moral, lucidez política e memória histórica.
A CPLP não pode, não deve, nem lhe é permitido normalizar o inaceitável.
A Guiné-Bissau vive hoje sob um sistema em que generais associados ao narcotráfico capturaram o Estado, sequestraram a soberania popular e transformaram instituições públicas em instrumentos privados de dominação. Perante este contexto, falar em “negociação”, “mediação” ou “diálogo político” revela uma perigosa incompreensão da natureza do problema.
É preciso dizê-lo sem rodeios:
generais narcotraficantes não negociam — chantageiam.
Não dialogam — extorquem.
Não respeitam acordos — instrumentalizam-nos.
Não agem de boa-fé — usam a boa-fé alheia como fraqueza explorável.
Esses atores utilizam a soberania nacional como escudo retórico, enquanto a esvaziam de conteúdo; usam seres humanos como moeda de troca, forçando migrações, provocando instabilidade e aprofundando o medo; recorrem ao sequestro institucional, à intimidação e ao terror como métodos ordinários de governança. O Estado deixa de servir o cidadão e passa a servir o crime.
Ainda assim — e é importante afirmá-lo com total clareza — temos fé na Presidência da CPLP, porque conhecemos os valores e princípios dos seus líderes, o seu caráter e o amor genuíno que nutrem pelo povo da Guiné-Bissau. Esse povo não são os generais narcotraficantes. O povo guineense é vítima, não cúmplice; é refém, não beneficiário deste sistema criminoso.
É precisamente por essa confiança nos valores fundadores da CPLP que este alerta se impõe.
A missão da CPLP não deverá partir sem antes estabelecer, de forma explícita, pública e inequívoca, as linhas vermelhas que a regem. Em particular, deve ficar absolutamente claro que a CPLP está plenamente alinhada com as decisões da Cimeira Extraordinária dos Chefes de Estado da CEDEAO, e que não aceitará qualquer tentativa de as contornar, relativizar ou esvaziar.
Entre essas linhas vermelhas, uma é incontornável:
Domingos Simões Pereira deverá estar solto — ou, no mínimo, deverá existir data e hora formalmente estabelecidas para a sua libertação — assim como a libertação imediata de todos os sequestrados políticos.
Sem isso, não há gesto de boa-fé. Há apenas continuação do sequestro do Estado por meios coercivos.
Negociar com tais estruturas não produz transições políticas — produz legitimação do crime organizado. Produz tempo, oxigênio e reconhecimento internacional para regimes que sobrevivem precisamente do bloqueio, do caos e da ambiguidade.
A CPLP deve perguntar a si própria:
quer ser parte da solução democrática ou parte do problema histórico?
Missões de alto nível que não partam de condicionalidades claras, verificáveis e não negociáveis — restauração da ordem constitucional, libertação dos presos políticos, responsabilização criminal e afastamento efetivo dos atores armados do poder político — não são missões de paz. São operações de cosmética diplomática.
A experiência internacional é inequívoca:
não há negociação possível com quem governa pelo medo e pelo dinheiro da droga. O que existe é chantagem estratégica, onde cada gesto de “diálogo” é lido como sinal de fraqueza e cada concessão como convite a novas exigências.
A CPLP foi criada para promover a democracia, o Estado de direito e a dignidade dos povos que partilham a língua portuguesa. Se abdicar desses princípios em nome de uma falsa estabilidade, perderá não apenas credibilidade externa, mas também autoridade moral perante os próprios cidadãos da Guiné-Bissau — que há anos resistem, pagam o preço do silêncio internacional e continuam a exigir liberdade.
Não se negocia com terroristas.
Não se dialoga com narcotraficantes.
Não se normaliza o sequestro de um Estado.
Com a Presidência de Timor-Leste o povo da Guiné-Bissau tem fé de que enquanto lideranças, A CPLP fará o que é certo e não se deixará amedrontar/ impôr pelos métodos usado pelos cartéis de droga para negociar- na verdade, há uma percepção generalizada no país e no exterior que cada vez que esse generais narco-traficantes e seus aliados civis estão a “negociar” com instituições regionais e internacionais fazem-no sob orientação e instruções claras e diretas, em tempo real do que devem dizer e ou aceitar com líderes legitimados e legais sentados do lado oposto da mesa. Não se negocia com Cartéis de Droga e os Generais com o poder de fato baseado em armas são representantes desses Barões da droga em Bissau.
À CPLP apelamos, porque está a tempo e em posição, que escolha o lado certo da História, o lado DO POVO DA GUINÉ-BISSAU.
