Os Governo da China doou hoje bens e produtos avaliados em 5,9 milhões de meticais (78,3 mil euros), para ajudar as vítimas das cheias de janeiro em Moçambique.
© Lusa
“Queríamos agradecer este gesto nobre da Câmara de Comércio Moçambique-China (CCMC), que realmente vai trazer essa esperança e Luz para o nosso povo”, disse aos jornalistas a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicana, à margem da receção de donativos dos empresários chineses, em Maputo.
Segundo Maria Lucas, os donativos em bens e produtos, avaliados em 5,9 milhões de meticais, vão trazer “esperança e luz” às vítimas das cheias que desde janeiro afetaram mais de 700 mil pessoas.
Mais de 75 mil moçambicanos estão abrigados em 76 centros de acomodação, entre os 723.500 afetados pelas cheias desde janeiro, registando-se 23 mortos, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
A lista de produtos e bens doados hoje pela CCMAC inclui ‘kits’ de higiene, arroz, óleo, água mineral, farinha de milho e produtos contra mosquitos embalados em caixas, conforme ilustrado à imprensa, com a governante a assegurar que o apoio resulta de um apelo feito pela ministra à embaixadora da China.
A governante anunciou ainda estar a caminho mais apoio do Governo da China para assistir às vítimas das inundações.
“Ouvimos uma boa notícia da própria embaixadora de que a assistência do próprio Governo da República Popular da China está a caminho, então, estão a trabalhar desde o dia que sentamos juntos aqui neste Ministério, a embaixadora e a sua equipa da embaixada estão a trabalhar”, anunciou Maria Lucas.
As autoridades moçambicanas também receberam hoje 130.000 rands (6.889 euros), do Governo de Bangladesh, um ato também enaltecido pela governante moçambicana, que reconheceu ainda o esforço dos países asiáticos em apoiar Moçambique e o povo moçambicano.
De acordo com a atualização na base de dados do INGD, a que a Lusa teve hoje acesso, com informação até às 13:30 (11:30 de Lisboa), as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique já afetaram o equivalente a 170.248 famílias.
Desde 07 de janeiro foram registados ainda 145 feridos e nove desaparecidos, além de 3.555 casas parcialmente destruídas, 832 totalmente destruídas e 165.946 inundadas, agravando os números anteriores.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 182 mortos, além de 289 feridos e de 844.932 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
De acordo com os dados atualizados, estão atualmente ativos 76 centros de acomodação, com 75.264 pessoas, após o encerramento de mais um destes centros nas últimas horas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que desde 07 de janeiro foram afetadas 229 unidades sanitárias e 323 escolas, 14 pontes, 88 aquedutos e 3.783 quilómetros de estrada.
O registo do INGD aponta também para 440.852 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.405 dados como perdidos, atingindo a atividade de 314.780 agricultores, além da morte de 408.118 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.

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