NOTA INFORMATIVA Com objectivo de identificar os números actuais de elefentes e outros grandes mamíferos, mitigar o conflito homem e fauna bravia, reduzir a caça furtiva, bem como, identificar focos de exploração ilegal de recursos naturais
ANAC PREPARA SE PARA ANUNCIAR OS RESULTADOS DE CENSO NACIONAL DE ELEFANTES E OUTROS GRANDES MAMIFEROS

MAPUTO, 25 DE FEVEREIRO DE 2025 – O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, através da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) em parceria com a BIOFUND, através do Programa de Conservação da Biodiversidade, financiado pela Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA) e da União Internacional para a Conservaçao da Natureza (IUCN), realizaram de Setembro a Dezembro de 2025, o quarto Censo Nacional de Elefantes e outros Grandes Mamíferos, tendo os anteriores sido realizados em 2008, 2014 e 2018.
Para o Professor Valério Macandza da Universidade Eduardo Mondlane, “O último censo nacional foi realizado em 2018. Já passaram-se sete anos, tanto sem uma informação de nível nacional sobre qual é o estado da população de elefantes, sobre qual é o estado da população de outra espécie de fauna bravia. Sem essa informação, é difícil o próprio governo tomar decisões de gestão. Desde o primeiro censo em 2008, tem se registrado um declínio considerável, sobretudo a população de elefantes. Em 2008, a estimativa de elefantes era de cerca de 22 mil, mas em 2014 a população tinha reduzido para um pouco mais de 10 mil e em 2018 este numero baixou para 9 mil. Então agora estamos nessa incerteza. Qual é a situação actual nos últimos sete anos?”
Para o Coordenador do Programa de Conservação da Biodiversidade (SIDA), Samiro Magane, a realização deste censo, marca um passo importante na gestão da fauna bravia no país. A iniciativa surge da necessidade do Governo de conhecer, com maior rigor, o estado das populações de elefante e de outros grandes mamíferos no país. , de modo a permitira fazer a sua gestão adequada, conhecer a sua distribuição, zonas de maior concentração, bem como, auferir os índices de caça furtiva no país. Mais do que números, o levantamento permitirá mapear a distribuição das espécies, identificar as áreas de maior concentração e medir os níveis de caça furtiva, fornecendo informação essencial para decisões estratégicas e para o reforço das ações de conservação a nível nacional.
“Conhecer os efectivos de fauna é fundamental para definir, de forma responsável e baseado em evidencias, as taxas anuais de extração. Moçambique é conhecido como um destino turístico de referência para os amantes de caça de conservação, por realizar a actividade de caça em áreas extremamente remotas e com baixa presença humana, o que proporciona uma experiencia desafiadora e singular, para quem gosta de caça no seu estado mais natural e primitivo”
O Director Geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Pejul Calenga, frisou que este Censo Nacional do Elefante e Outros Grandes Mamíferos, não tem pura e simplesmente como fim único ter números sobre o crescimento ou redução da biodiversidade, mas permite também identificar outras ameaças à conservação que vai permitir também traçar as melhores directrizes para reduzir a pressão sobre a vida selvagem, isto é, através deste Censo Nacional do Elefante, vai-se poder identificar os focos de exploração ilegal de recursos naturais, como exploração de madeira, a questão do garimpo ou a mineração ilegal.
“Vamos também ter acesso à dispersão dos assentamentos humanos, que nos vai permitir ver a tendência da proximidade ou não das pessoas no espaço que congrega a nossa rede nacional das áreas de conservação e através desta informação vamos poder definir melhor e traçar as nossas estratégias para poder combinar esse interesse de conservação da biodiversidade e também ver de que forma é que a gente pode salvaguardar os interesses das pessoas que estão à volta e também, em alguns casos, dentro das áreas de conservação. E aqui gostávamos também de emitir uma palavra de apreço aos nossos parceiros, porque esta é uma actividade que requer recurso financeiro avultados, estamos a falar de um total de cerca de 1 milhão de dólares para a realização deste censo, e isto está sendo possível, graças ao apoio dos nossos parceiros e do governo.”
Pejul Calenga, aproveitou a ocasião para agradecer o apoio financeiro da Embaixada da Suécia, através da Fundação para Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), o apoio técnico da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Instituto de Pesquisa em Fauna Bravia da Tanzânia entre outros parceiros.
O Censo Nacional dos Elefantes e outros Grandes Mamíferos tem como objectivos verificar a estimativa da abundância populacional de elefantes (números e densidades) nas áreas inspeccionadas em Moçambique, juntamente com os intervalos de confiança em torno destas estimativas; a abundância de carcaças de elefantes (categorizadas por faixa etária) nas áreas inquiridas em Moçambique e intervalos de confiança em torno destas estimativas e rácios de carcaças calculados; a documentação da distribuição espacial dos elefantes vivos e das carcaças de elefantes nas áreas inspeccionadas; Documentar o tipo e a distribuição espacial das actividades relacionadas com o ser humano, com particular enfoque nas ameaças à conservação e na condição do habitat dentro das áreas pesquisadas; Estimar o tamanho da população e a distribuição de outras espécies de interesse (i.e., grandes mamíferos com mais de 15 kg, incluindo animais domésticos), juntamente com os intervalos de confiança para estas estimativas; Fornecer formação antes e durante os levantamentos para apoiar o desenvolvimento de capacidades em métodos de levantamento aéreo à equipa da ANAC e ao pessoal das áreas de conservação que participará no levantamento, incluindo a formação de potenciais observadores.
O Censo Nacional de Elefantes é um levantamento crucial realizado periodicamente para estimar o número, a distribuição e a saúde das populações de elefantes (Loxodonta africana) e de outros grandes mamíferos em Moçambique.(x)

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