Por Tiago J.B. Paqueliua
Enquanto o Presidente Daniel Francisco Chapo proclama liberdade total para os comerciantes definirem seus horários, a realidade é outra. O Conselho de Ministros, sob sua liderança, aprovou regulamentações que restringem a venda de bebidas alcoólicas em supermercados, distribuidores e bottle stores aos domingos e após as 20h.
O contraste é gritante: bares, restaurantes e discotecas da elite vendem álcool livremente, enquanto os pequenos comerciantes, que muitas vezes não representam risco social direto, são duramente atingidos.
Em nome do combate ao consumo excessivo de álcool, o Estado cria regras seletivas e injustas, que privilegiam setores poderosos e prejudicam a maioria. A fiscalização próxima às escolas é um escândalo: míseras barracas são atacadas por estarem a menos de 500 metros das instituições, mas hotéis e restaurantes da elite permanecem impunes mesmo a menos de 100 metros, como o Hotel Cardoso, vizinho da Escola Secundária Josina Machel.
Este é o retrato de um “apartheid comercial”: desigualdade, favoritismo e falta de coerência transformam políticas públicas em instrumentos de privilégio. O Estado não protege a sociedade; protege interesses econômicos e sociais específicos, destruindo a credibilidade e a confiança da população.
É hora de perguntar: até quando o governo vai fingir justiça enquanto favorece seus afilhados?
