Politica

Anamola denuncia PRM por alegado sequestro e tortura em Nampula

Por Quinton Nicuete

 

O partido Anamola acusa a Polícia da República de Moçambique (PRM) de ter raptado e maltratado o seu coordenador distrital em Mogovolas, província de Nampula. A denúncia foi apresentada no sábado, em conferência de imprensa conduzida por Castro Niquina, coordenador provincial da formação política.

Segundo o relato, o dirigente foi retirado de casa à meia-noite e levado para o Comando Provincial da PRM, onde estaria detido sem qualquer notificação oficial. O partido afirma que o coordenador se encontra em condições degradantes, privado de alimentação, água e sujeito a tortura física e psicológica.

“Estamos perante um sequestro conduzido pela própria polícia, sob ordens do comandante provincial”, acusou o porta-voz, acrescentando que a corporação estaria a agir em defesa de interesses políticos da Frelimo.

O Anamola relaciona o caso com uma marcha recente em Mogovolas que mobilizou centenas de jovens e coincidiu com a visita do governador ao distrito. Para o partido, a elevada adesão popular terá provocado “ciúmes políticos” e desencadeado a repressão.

Antes da detenção, o coordenador distrital tinha sido chamado ao tribunal como denunciante, mas acabou transformado em arguido e condenado ao pagamento de três salários mínimos. O partido considera o processo uma tentativa de silenciar a oposição. Após a decisão judicial, registaram-se protestos juvenis, seguidos de reforço policial no distrito.

Na conferência, o Anamola exigiu a libertação imediata do seu dirigente e lançou um ultimato: caso não seja apresentado com vida em 72 horas, promete paralisar Nampula com manifestações juvenis. “Se ele não regressar, vamos ocupar as principais artérias da província”, advertiu o porta-voz.

O partido anunciou ainda que vai processar a PRM e o comandante provincial por detenção ilegal e violação de direitos fundamentais. Para o Anamola, a atuação da polícia contradiz o discurso de diálogo político promovido pelo Presidente da República, Daniel Chapo. “O regime fala em diálogo, mas pratica sequestros e usa tribunais como instrumentos de repressão”, acusou o dirigente, sublinhando que existe uma aliança entre instituições do Estado para servir interesses de uma minoria.

No encerramento, o partido apelou à resistência e garantiu que não vai recuar. “A repressão não vai apagar a voz que está a nascer no país”, concluiu.

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