Sociedade

MOÇAMBIQUE SURGE ENTRE OS PAÍSES LUSÓFONOS COM MAIOR INCIDÊNCIA DE POBREZA MULTIDIMENSIONAL

Moçambique apresenta uma taxa de pobreza multidimensional de 38,8% da população, segundo dados divulgados sobre o Índice Global de Pobreza Multidimensional das Nações Unidas, que colocam o país acima de outros Estados lusófonos mencionados no levantamento, nomeadamente a Guiné-Bissau e Angola, com 35,9% e 29,6%, respectivamente.

O indicador mede privações que ultrapassam a insuficiência de rendimentos, abrangendo condições de saúde, educação e qualidade de vida, incluindo o acesso à electricidade, água potável, saneamento, habitação adequada e outros serviços essenciais.

De acordo com os dados divulgados, Timor-Leste apresenta uma taxa de 17,4%, enquanto São Tomé e Príncipe e o Brasil registam valores de 2,1% e 0,9%, respectivamente. Estes números devem ser interpretados tendo em conta os anos dos inquéritos nacionais utilizados no cálculo e a metodologia aplicada a cada país.

A nível mundial, o relatório de 2026 do Índice Global de Pobreza Multidimensional estima que cerca de 1,2 mil milhões de pessoas vivem em situação de pobreza multidimensional aguda nos 108 países abrangidos pelo estudo, correspondendo a 18,9% da população considerada. O documento assinala que o número voltou a aumentar pela primeira vez desde a criação do índice, em 2010.

A pobreza multidimensional reflecte a acumulação de privações em diferentes áreas da vida. Uma família pode, por exemplo, enfrentar simultaneamente dificuldades no acesso à educação e aos cuidados de saúde, viver numa habitação inadequada e não dispor de água potável ou saneamento.

Os dados divulgados indicam ainda que a pobreza afecta de forma desproporcionada as populações rurais e as crianças. No relatório global de 2025, o PNUD estimou que 83,5% das pessoas em situação de pobreza multidimensional viviam em zonas rurais e que as crianças representavam mais de metade da população afectada.

Em Moçambique, os indicadores de pobreza multidimensional evidenciam a importância de políticas públicas que ampliem o acesso aos serviços básicos, reforcem a educação e a saúde e melhorem as condições de habitação e de vida, sobretudo nas comunidades rurais e nas zonas mais vulneráveis.

A pobreza multidimensional constitui, assim, um desafio que exige respostas integradas, uma vez que o rendimento, por si só, não reflecte todas as dificuldades enfrentadas pelas famílias. O acesso efectivo a serviços essenciais e a oportunidades de desenvolvimento continua a ser determinante para melhorar as condições de vida da população. (Moz24h)

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