Depois de, a 19 de Setembro, ter anunciado a paralisação temporária dos transportes públicos devido à escassez de combustível, o Conselho Municipal da Cidade de Montepuez voltou esta quarta-feira, 30 de Setembro, a comunicar aos munícipes a interrupção dos autocarros e, desta vez, também da remoção de resíduos sólidos na urbe.
Num comunicado publicado na sua página oficial do Facebook, a edilidade atribui novamente a paralisação à falta de combustível na cidade e, em particular, à indisponibilidade junto do seu fornecedor. O município pede desculpas pelos transtornos e afirma estar a desenvolver esforços para “mitigar o sofrimento dos munícipes” no que diz respeito à mobilidade urbana.
A nova interrupção ocorre, entretanto, num momento em que as autoridades provinciais anunciaram a chegada ao Porto de Pemba de um navio com cerca de 3,6 milhões de litros de gasolina. O director dos Serviços de Infra-estruturas de Cabo Delgado, Norte Luane, disse que a carga seria distribuída pelas gasolineiras da província e poderia aliviar a escassez, embora tenha advertido que a quantidade não significava, necessariamente, o fim imediato da crise.
A Inspecção-Geral dos Recursos Minerais e Energia (IGREME), por sua vez, anunciou o reforço da fiscalização contra a venda e o transporte ilegal de combustível, depois de apreensões de gasolina comercializada fora dos canais autorizados.
Mas, enquanto as autoridades discutem stocks, distribuição e fiscalização, a escassez continua a ter consequências directas sobre quem depende diariamente de uma motorizada para sobreviver. Em Cabo Delgado, onde as motorizadas e chapas constituem uma das principais formas de transporte, a paralisação significa, para muitos mototaxistas, ficar sem viagens e, consequentemente, sem rendimento. Relatos publicados recentemente em Cabo Delgado, indicam que vários operadores já vinham enfrentando dificuldades para trabalhar devido à falta de gasolina.
A questão que se coloca é simples: se a falta de combustível já obriga uma instituição pública a interromper serviços essenciais como o transporte de passageiros e a recolha de resíduos, como está a sobreviver o cidadão que depende do mesmo líquido para colocar comida na mesa?
Para o mototaxista e chapeiros, não há stock público, viatura institucional ou orçamento municipal que garanta o rendimento no fim do dia. Sem gasolina, a motorizada fica parada e, com ela, pode parar também a principal fonte de sustento de uma família. (Moz24h)

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