Economia

TÍTULOS MINEIROS ANTES DOS ACORDOS: A Presença Chinesa nos Minerais Críticos de Cabo Delgado Precede a Diplomacia de Chapo

Por Jerry Maquenzi

 

No dia 16 de Abril de 2026, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, embarcou para Pequim numa visita de Estado de sete dias, a convite do seu homólogo chinês, Xi Jinping. A agenda era densa: mobilização de financiamento para projectos estruturantes, aprofundamento da Parceria Estratégica Global entre os dois países, e em especial, abertura de portas ao investimento chinês nos sectores de infraestruturas, energia e mineração. Durante a visita, Chapo percorreu províncias chinesas, visitou pessoalmente a sede do Western Mining Group e a mineradora Qinghai Copper Industry, e em Xining presidiu a uma mesa-redonda sobre desenvolvimento e investimento Moçambique-China (Xinhua Português, 21/04/2026). O tom foi de quem chega com uma proposta nova, com uma oportunidade ainda por abrir, com um convite ainda por aceitar.

Mas havia um problema com essa narrativa. Um problema com dados, com números, com licenças assinadas, carimbadas e em vigor muito antes de o avião presidencial descolar para Pequim.

Os dados das licenças de prospecção e pesquisa em vigor na Província de Cabo Delgado, referentes ao ano de 2025, o primeiro ano da governação de Daniel Chapo, contam uma história muito diferente da que foi exibida nos corredores diplomáticos da capital chinesa. Contam a história de uma presença que não precisou de convite porque já estava instalada. Contam a história de minerais críticos: grafite, níquel, cobre, vanádio, titânio cujo controlo já estava, em proporções alarmantes, em mãos total ou parcialmente chinesas. Contam, em suma, a história de uma diplomacia que chegou tarde a formalizar o que a economia já tinha decidido.

Este artigo analisa os dados de licenças de prospecção e pesquisa em vigor em Cabo Delgado, cruza-os com os acordos assinados durante a visita presidencial à China, e argumenta que o discurso do “convite” serve, na prática, como cortina diplomática para uma realidade que os registos oficiais já confirmavam: Moçambique estava a abrir o seu subsolo aos interesses estratégicos chineses antes mesmo de o anunciar ao mundo.

  1. Cabo Delgado como Epicentro da Corrida aos Minerais Críticos

Para compreender o que está em jogo, é necessário primeiro compreender o que é Cabo Delgado no contexto da geopolítica global dos recursos naturais. A província mais a norte de Moçambique, fustigada há anos por um conflito armado que deslocou mais de um milhão de pessoas e paralisou projectos energéticos de grande escala, é também uma das zonas com maior concentração de minerais estratégicos em toda a África Austral.

Sob o seu solo existem reservas significativas de grafite, Moçambique é um dos maiores produtores mundiais deste mineral, bem como depósitos de níquel, cobre, vanádio, titânio, zircão e rútilo. Todos estes minerais partilham uma característica essencial no contexto económico actual: são indispensáveis para a transição energética global. A grafite é o componente principal dos ânodos das baterias de iões de lítio (Lima, 2015), que alimentam veículos eléctricos, telemóveis e sistemas de armazenamento de energia renovável. O níquel e o cobre são igualmente cruciais para a fabricação de baterias (Metalurgia, 19/08/2021), motores eléctricos, turbinas eólicas e cabos de transmissão de alta tensão. O vanádio é utilizado em baterias de fluxo de grande capacidade (Wikipédia, 2022). O titânio é essencial na indústria aeroespacial e em equipamentos de alta tecnologia (Wikipédia, 2021).

Numa era em que a corrida às cadeias de abastecimento de minerais críticos substituiu, em muitos aspectos, a corrida ao petróleo do século XX, Cabo Delgado tornou-se um tabuleiro onde as grandes potências jogam as suas peças, nem sempre de forma visível, nem sempre com o conhecimento do grande público moçambicano.

A China compreendeu este tabuleiro muito antes de outros. E os dados mostram que não esperou por nenhuma cimeira para começar a jogar.

  1. O Mapa das Licenças: O Que os Dados Revelam

A base de dados de licenças de prospecção e pesquisa em vigor em Cabo Delgado registava, no período em análise, um total de 107 licenças activas recolhidas no portal do cadastro mineiro de Moçambique, abrangendo um vasto leque de minerais, desde pedras preciosas como rubi, água-marinha e turmalina, até metais industriais e minerais críticos para a economia verde global.

Uma análise cuidadosa da composição mineral dessas licenças revela um padrão inequívoco (ver o quadro abaixo):

  • Grafite aparece em 45 licenças, o que corresponde a 42,1% do total, tornando-se o mineral mais frequente em todo o portfólio de licenciamento da província, superando até o ouro (presente em 32 licenças) e o rubi (40 licenças).
  • Cobre aparece em 13 licenças (12,1% do total).
  • Níquel aparece em 11 licenças (10,3% do total).
  • Outros minerais críticos como vanádio, titânio, zircão, rútilo e urânio completam o quadro de recursos estratégicos licenciados na província.

Estes números, por si só, já seriam suficientes para levantar questões sobre a trajectória do licenciamento mineiro em Cabo Delgado. Mas é quando se analisa quem detém essas licenças que os dados se tornam verdadeiramente reveladores.

 

Ordem Nome da empresa Nº da Licença Tipo de Minério Apresentação Concessão
1 Nicolas Mining II – Sociedade Unipessoal, Lda 10217 L Ouro e Minerais Associados 29/11/2019 30/04/2025
2 Mpelezi, Lda 12752 L Areias Pesadas 16/08/2024 2/5/2025
3 Arbi Mussa; Transporte e Comércio Arbi Mussa – Sociedade Unipessoal, Lda 8270 L Grafite, Minerais Associados 18/07/2016 5/5/2025
4 Huaxin Mining Exploration Co – Sociedade Unipessoal, Lda 11681 L Areias Pesadas, Rútilo, Titânio, Zircão 4/9/2023 13/05/2025
5 Minerais do Índico, Lda 12719 L Água-Marinha, Granadas, Minerais Associados, Ouro, Rubi, Safira, Turmalina 19/07/2024 5/5/2025
6 Mineral Stream, Lda 5438 L Grafite 18/05/2012 18/04/2025
7 Chinyere Resources Mining III, Lda 11639 L Grafite 18/08/2023 2/5/2025
8 Mineral Stream, Lda 5445 L Grafite 21/05/2012 24/04/2025
9 Sucess Investment, Lda 9553 L Grafite 27/07/2018 17/04/2025
10 Kukhela Mining IX, Lda 12442 L Chumbo, Grafite, Minerais Associados, Ouro, Quartzo, Rubi, Zinco 12/3/2024 8/5/2025
11 Gems Way, Lda 8569 L Ouro e Minerais Associados, Pedras Preciosas 7/3/2017 27/06/2025
12 J5 Mining Resources, Lda 11560 L Grafite, Minerais Associados, Ouro, Rubi 19/05/2023 27/05/2025
13 Africa Gold Holding – Sociedade Unipessoal, Lda 10767 L Corindo, Esmeralda, Grafite, Minerais Associados, Quartzo, Rubi, Turmalina 26/08/2021 25/04/2025
14 Leben, Lda 10173 L Minerais Associados, Ouro, Rubi 25/11/2019 30/04/2025
15 Runstane, Lda 11801 L Minerais Associados, Ouro 20/11/2023 25/04/2025
16 Kangol Mines, Lda 10522 L Ouro e Minerais Associados 10/12/2020 29/04/2025
17 Goldenminds, Lda 12484 L Ouro e Minerais Associados 20/03/2024 30/04/2025
18 Parruque Building Stone, Lda 8958 L Minerais Associados, Rubi 22/08/2017 28/04/2025
19 Olelon Mining, S.A 12626 L Ouro e Minerais Associados 16/05/2024 2/5/2025
20 Amazano Minas – Sociedade Unipessoal, Lda 9827 L Corindo, Granadas, Minerais Associados, Rubi 30/11/2018 25/04/2025
21 Clay Mining Tech – Sociedade Unipessoal, Lda 10339 L Ouro e Minerais Associados 18/05/2020 24/06/2025
22 Namahaca Ruby Mining, Lda 10305 L Ouro e Minerais Associados 23/04/2020 8/5/2025
23 Associação dos Deficientes Militares e Paramilitares de Moçambique (ADEMIMO) 8846 L Ágatas, Água-Marinha, Esmeralda, Minerais Associados, Ouro, Quartzo, rubi, Safira, Turmalina 12/6/2017 13/05/2025
24 Parruque Building Stone, Lda 8959 L Ouro e Minerais Associados 23/08/2017 8/5/2025
25 Soulstone, Lda 12639 L Ouro e Minerais Associados 30/05/2024 29/04/2025
26 Celme Holding Rock VI, S.A 8940 L Corindo, grafite, Minerais Associados, Rubi 4/8/2017 13/05/2025
27 Uakulela Minerais, Lda 12622 L Minerais Associados, Ouro, Rubi 16/05/2024 6/5/2025
28 Pathfinder Moçambique G, S.A 10660 L Grafite, Metais Preciosos 14/05/2021 30/04/2025
29 NC Minerals, Lda 10041 L Mármores, Minerais Associados 18/07/2019 30/05/2025
30 Sucess Investment – 4, Lda 9658 L Mármores 21/09/2018 24/06/2025
31 Namuli Mining Development, Lda 11544 L Grafite 10/5/2023 29/04/2025
32 Bengala Mining, Lda 8492 L Cobre, Ferro, Ouro, Rubi 30/11/2016 8/5/2025
33 Focus Mining & Investimentos, Lda 7025 L Água-Marinha, Rubi, Turmalina 28/03/2014 19/05/2025
34 Bengala Mining, Lda 8434 L Minerais Associados, Urânio 9/11/2016 2/5/2025
35 Nicolas Mining IV – Sociedade Unipessoal, Lda 10354 L Grafite, Minerais Preciosos 18/06/2020 7/5/2025
36 Management Consultant, S.A 10127 L Grafite, Minerais Associados 10/10/2019 3/3/2025
37 Sino Mining Área 3, Lda 9797 L Grafite 28/11/2018 25/04/2025
38 Geoide Consultoria, Lda 6360 L Antimónio, Chumbo, Grafite, Níquel, Ouro, Vanádio, Zinco 31/05/2013 20/05/2025
39 EME Investimentos, S.A 8094 L Grafite, Metais Básicos 10/2/2016 2/5/2025
40 Mutarara Resources, Lda 7598 L Rubi 8/5/2015 21/04/2025
41 SVS Moçambique, Lda 7416 L Minerais Associados, Rubi 10/2/2015 18/04/2025
42 Frontiers, lda 8989 L Cassiterite, Ilmenite, Magnetite, Monazite, Ouro, Pedras Preciosas, Pedras semipreciosas, Rútilo, Zircão 15/09/2017 24/04/2025
43 Frontiers, lda 8960 L Areia de Construção, Pedra de Construção 25/08/2017 14/05/2025
44 Real Investimentos, S.A 8195 L Cobre 4/5/2016 23/04/2025
45 Meluco Mining, S.A 9305 L Corindo, Minerais Associados, Rubi, Turmalina 2/5/2018 24/04/2025
46 Wealth Mining, Lda 9482 L Mármores 29/06/2018 29/04/2025
47 Michael Construções, Lda 10094 L Grafite, Mármores, Metais Básicos, Ouro 9/9/2019 28/04/2025
48 Rella Comercial, Lda 11018 L Chumbo, Grafite, Minerais associados, Ouro, Quartzo, Rubi, Zinco 26/05/2022 25/04/2025
49 Meluco Mining, S.A 9303 L Água-marinha, Corindo, Rubi, Turmalina 2/5/2018 25/04/2025
50 Lukas’s, Lda 7115 L Ouro 27/11/2014 18/04/2025
51 Derre Construções, Lda 11016 L Chumbo, Grafite, Minerais associados, Ouro, Quartzo, Rubi, Zinco 25/05/2022 5/5/2025
52 Nakulo Mining – Sociedade Unipessoal, Lda 10335 L Grafite, Minerais Associados 13/05/2020 5/5/2025
53 NC Minerals, Lda 9975 L Chumbo, Cobre, Grafite, Minerais Associados, Níquel, Ouro, Paládio, Rubi, Zinco 29/04/2029 25/04/2025
54 NC Minerals, Lda 9973 L Chumbo, Cobre, Grafite, Minerais Associados, Níquel, Ouro, Paládio, Rubi, Zinco 29/04/2019 24/04/2025
55 NC Minerals, Lda 9976 L Chumbo, Cobre, Grafite, Minerais Associados, Níquel, Ouro, Paládio, Rubi, Zinco 29/04/2019 30/05/2025
56 Munisse e Filhos, Serviços de Mineração, Lda 7353 L Calcário 8/1/2015 18/04/2025
57 Comal – Companhia de Madeira, Lda 7839 L Chumbo, Cobre, Minerais Associados, Níquel, Ouro, Platina, Zinco 5/8/2015 21/04/2025
58 Meluco Mining, S.A 9306 L Água-marinha, Corindo, Grafite, rubi, Turmalina 2/5/2018 25/04/2025
59 NC Minerals 48, Lda 9742 L Grafite, Minerais Associados 9/11/2018 24/04/2025
60 Yuanbo Investimentos de Energia Internacional, Lda 9612 L Grafite, Minerais Associados, Ouro 29/08/2018 23/04/2025
61 NC Minerals, Lda 9977 L Chumbo, Cobre, Grafite, Minerais Associados, Níquel, Platina, Prata, Rubi 29/04/2019 24/04/2025
62 NC Minerals, Lda 9974 L Chumbo, Cobre, Grafite, Minerais Associados, Níquel, Platina, Prata, Rubi 29/04/2019 30/04/2025
63 Comal – Companhia de Madeira, Lda 8601 L Chumbo, Cobre, Minerais Associados, Níquel, Ouro, Paládio, Platina, Zinco 14/03/2017 22/04/2025
64 Comal – Companhia de Madeira, Lda 7839 L Chumbo, Cobre, Minerais Associados, Níquel, Ouro, Platina, Zinco 5/8/2015 21/04/2025
65 Meluco Mining, S.A 9304 L Água-marinha, Corindo, Rubi, Turmalina 2/5/2018 28/04/2025
66 Ossanzaya Empreendimento, Lda 12711 L Grafite, Minerais Associados 16/07/2024 19/02/2025
67 Masiku Mining II, Lda 11278 L Cobre, Grafite, Níquel, Ouro, rubi, Urânio 7/12/2022 30/04/2025
68 Raras e Preciosas, Lda 7138 L Rubi 1/12/2014 18/04/2025
69 Mnumandra Construção, Exploração de Minerais e Agricultura, Comercio e Pesquisa, Lda 8685 L Minerais Associados, Ouro 4/4/2017 21/04/2025
70 Flomining, S.A 9473 L Grafite 20/06/2018 29/04/2025
71 Conceitos Mining, Lda 9219 L Água-marinha, Minerais Semipreciosos, Rubi, Turmalina 9/4/2018 25/04/2025
72 Comal – Companhia de Madeira, Lda 8600 L Chumbo, Cobre, Minerais Associados, Níquel, Ouro, Paládio, Platina, Zinco 14/03/2017 22/04/22025
73 Someq, Lda 8840 L Calcário 5/6/2017 20/06/2025
74 Mozambique Heavysand Company J, Lda 11221 L Grafite, Minerais Associados 15/11/2022 30/04/2025
75 Rita Resources, Lda 10246 L Grafite, Minerais Associados 4/3/2020 29/04/2025
76 J Chana Moz Research Exploration Oil & Gas Company, Lda 8620 L Água-marinha, Esmeralda, Minerais Associados, Ouro, Turmalina 16/03/2017 22/04/2025
77 Mozambique Heavysand Company B, Lda 8452 L Grafite 21/11/2016 30/04/2025
78 Minxone, Lda 11498 L Ouro e Minerais Associados 20/04/2023 28/04/2025
79 Real Investimentos, S.A 8219 L Cobre 3/6/2016 29/04/2025
80 Junren International Mining Mozambique – 2, Lda 12763 L Grafite, Granadas, Minerais Associados, Quartzo, Rubi, Vanádio 19/08/2024 8/5/2025
81 Bengala Minas, Lda 7769 L Grafite, Minerais Associados 9/7/2015 22/04/2025
82 NC Minerals, Lda 9738 L Grafite, Minerais Associados 9/11/2018 28/04/2025
83 Dinâmica Investimentos, Lda 9180 L Minerais Associados, Turmalina 2/4/2018 23/04/2025
84 Busolwa Mining II – Sociedade Unipessoal, Lda 12475 L Ouro e Minerais Associados 13/03/2024 5/5/2025
85 Sogema Serviços, Lda 11524 L Água-marinha, Grafite, Granadas, Metais Básicos, Minerais do Grupo de Platina, Ouro, Rubi, Safira, Turmalina 4/5/2023 5/5/2025
86 North Resources, Lda 11563 L Grafite, Minerais Associados 22/05/2023 16/05/2025
87 Earthcon Resources V, Lda 11473 L Água-marinha, Grafite, Granadas, Metais Básicos, Minerais do Grupo de Platina, Ouro, Rubi, Safira 5/4/2023 5/5/2025
88 Rubis de Moçambique 9119 L Grafite, Metais Básicos, Rubi 17/11/2017 23/04/2025
89 Longo Yuan International Investment – Sociedade Unipessoal, Lda 8945 L Ouro e Minerais Associados 9/8/2017 28/04/2025
90 Chidima Mining IV – Sociedade Unipessoal, Lda 11634 L Grafite, Minerais Associados 17/08/2023 27/05/2025
91 Top Map, Serviço de Consultoria e Geociência, Lda 8551 L Ouro e Minerais Associados 3/3/2017 21/04/2025
92 Busolwa Mining, Lda 11841 L Ouro e Minerais Associados 12/12/2023 25/04/2025
93 Maria Ruby Gems & Jewelery, Lda 8702 L Minerais Associados, Ouro, Rubi 12/4/2017 12/5/2025
94 Alstones, Lda 7439 L Grafite, Minerais Associados, Rubi 23/02/2015 2/6/2025
95 Mafla Holding, Lda 8307 L Água-marinha, Granadas, Minerais Associados, Morganite, Ouro, Rubi, Topázio, Turmalina 11/8/2016 30/04/2025
96 GPS Mining Company, Lda 9276 L Água-marinha, Grafite, Granadas, Minerais Associados, Ouro, Rubi, Safira, Turmalina 25/04/2018 13/05/2025
97 Sibonguile Holding, Lda 12602 L Minerais Associados, Rubi 29/04/2024 5/5/2025
98 Real Investimento XX, Lda 7629 L Ferro 20/05/2015 6/5/2025
99 Bengala Minas, Lda 7686 L Água-marinha, Esmeralda, Metais Básicos, Ouro, Rubi, Safira, Turmalina 5/6/2015 9/5/2025
100 Bengala Minas, Lda 7688 L Água-marinha, Esmeralda, Metais Básicos, Ouro, Rubi, Safira, Turmalina 5/6/2015 25/04/2025
101 Real Investimentos, S.A 8200 L Ferro, Minerais Associados 17/05/2016 29/04/2025
102 Canaanita 3, Lda 13365 L Gesso 12/12/2024 5/5/2025
103 Sem Nome 7695 L Calcário 9/6/2015 15/05/2025
104 Hua Ouro Recurso, Lda 10141 L Areias Pesadas, Rutilo, Titânio, Zircão 25/10/2019 8/5/2025
105 Tarita Resources, Lda 8638 L Rubi 23/03/2017 29/04/2025
106 Rodofa Consultoria – Sociedade Unipessoal, Lda 11586 L Grafite, Minerais Associados 1/6/2023 25/04/2025
107 Nicolas Mining II – Sociedade Unipessoal, Lda 10217 L Ouro e Minerais Associados 29/11/2019 30/04/2025

Fonte: Mapa do Portal do Cadastro Mineiro

 

  1. Quem Controla os Minerais Críticos? A Presença Chinesa Dissecada

A identificação das empresas com participação chinesa, seja de capital totalmente chinês, seja de capital misto moçambicano-chinês, na base de dados de licenciamento revela uma concentração que vai muito além do que os nomes das empresas poderiam sugerir à primeira vista.

Foram identificadas 11 empresas com participação chinesa directa ou significativa, que detêm conjuntamente 20 licenças activas em Cabo Delgado, representando 18,7% do total de licenças em vigor na província. Estas empresas dividem-se em dois grupos principais:

  1. Empresas de capital 100% chinês:
  • Yuanbo Investimentos de Energia Internacional, Lda (Licença 9612 L) – Grafite, Minerais Associados e Ouro. O próprio nome da empresa, “Energia Internacional” não deixa dúvidas sobre o enquadramento estratégico do investimento;
  • Mozambique Heavysand Company J, Lda (Licença 11221 L) — Grafite e Minerais Associados;
  • Mozambique Heavysand Company B, Lda (Licença 8452 L) – foco exclusivo em Grafite;
  • Junren International Mining Mozambique – 2, Lda (Licença 12763 L) – Grafite, Vanádio, Granadas e Minerais Associados. A combinação grafite-vanádio é particularmente significativa do ponto de vista estratégico;
  • Huaxin Mining Exploration Co – Sociedade Unipessoal, Lda (Licença 11681 L) – Areias Pesadas, Rútilo, Titânio e Zircão;
  • Hua Ouro Recurso, Lda (Licença 10141 L) – Areias Pesadas, Rútilo, Titânio e Zircão;
  • Longo Yuan International Investment – Sociedade Unipessoal, Lda (Licença 8945 L) – Ouro e Minerais Associados;
  • Masiku Mining II, Lda (Licença 11278 L) – Cobre, Grafite, Níquel, Ouro, Rubi e Urânio. Esta empresa é detida a 100% por um cidadão chinês e apresenta o portfólio de minerais críticos mais diversificado de toda a lista;
  1. Empresas de capital misto moçambicano-chinês:
  • Sino Mining Area 3, Lda (Licença 9797 L) – foco exclusivo em Grafite;
  • NC Minerals, Lda – detém 8 licenças activas (9975 L, 9973 L, 9976 L, 9977 L, 9974 L, 9738 L, 10041 L, Licença 9742 L), todas elas cobrindo combinações de Grafite, Cobre, Níquel, Paládio e Platina. É, de longe, a empresa com maior número de licenças activas em toda a base de dados;
  • Comal – Companhia de Madeira, Lda – detém 3 licenças activas (7839 L, 8601 L, 8600 L) focadas em Cobre, Níquel, Platina e Paládio.

O facto de empresas como a Sino Mining, NC Minerals e a Comal utilizarem nomes que não revelam imediatamente a sua composição accionista é, por si só, digno de atenção. Numa província onde a extracção de minerais críticos tem implicações geopolíticas directas, a transparência sobre a origem do capital deveria ser uma exigência mínima do quadro regulatório.

 

  1. Os Números que Ninguém Apresentou em Pequim

Quando se agrega a análise e se calculam as percentagens de controlo chinês sobre cada mineral crítico individualmente, emergem três números que deveriam ter estado no centro do debate público antes, durante e após a visita presidencial à China:

Grafite: Das 45 licenças activas que incluem grafite em Cabo Delgado, 14 pertencem a empresas com participação chinesa. Isso representa 31,1% de todas as licenças de grafite da província já em mãos chinesas ou sino-moçambicanas.

Níquel: Das 11 licenças activas que incluem níquel em Cabo Delgado, todas as 11 licenças, 100% têm participação chinesa. Não existe uma única licença de níquel em Cabo Delgado que não envolva capital ou cidadãos chineses.

Cobre: Das 13 licenças activas que incluem cobre, 11 têm participação chinesa, o que representa 84,6% do total.

Estes são dados oficiais, registados nas licenças em vigor emitidas pelo Estado moçambicano. Não são projecções, não são estimativas, não são especulações de analistas. São factos administrativos que constam dos registos públicos de concessão mineira.

A pergunta que se impõe é simples: se 100% do níquel e 84,6% do cobre de Cabo Delgado já estavam licenciados a entidades com participação chinesa, o que exactamente foi “convidado” a vir durante a visita de Chapo a Pequim?

  1. A Anatomia do Controlo: Como se Constrói uma Posição Estratégica

É importante compreender que a presença chinesa no licenciamento mineiro de Cabo Delgado não é fruto do acaso nem de uma coincidência de mercado. É o resultado de uma estratégia deliberada, metódica e de longo prazo que a China tem aplicado em múltiplos países africanos com riquezas minerais relevantes para a sua agenda de transição energética e liderança tecnológica.

A China controla hoje cerca de 70% da produção global de terras raras (Balbiéri e Balza, 04/05/2026) e domina cadeias de processamento de minerais críticos como o cobalto (República Democrática do Congo), o lítio (triângulo sul-americano) e a grafite (onde Moçambique é um dos alvos prioritários). A estratégia combina três vectores: licenciamento antecipado em países com quadros regulatórios menos rigorosos, criação de empresas locais com nomes que não revelam a origem do capital, e uso de empresas mistas para garantir acesso privilegiado a redes políticas e administrativas locais.

Em Cabo Delgado, esta estratégia é visível nos dados. Note-se, por exemplo, que a Yuanbo Investimentos de Energia Internacional – cujo nome já contém uma declaração de intenções estratégicas, solicitou a sua licença de grafite em Agosto de 2018, vários anos antes de qualquer aproximação diplomática formal entre Chapo e Pequim. A Mozambique Heavysand Company B solicitou a sua licença de grafite em Novembro de 2016. A Sino Mining Area 3, em Novembro de 2018. A NC Minerals os pedidos das oito licenças foram entre 2018 e 2019, cobrindo sistematicamente grafite, cobre e níquel em simultâneo.

Tudo isto aconteceu silenciosamente, ao longo de anos, sem manchetes, sem cimeiras, sem discursos sobre “laços fraternos entre os povos de Moçambique e da China”. Aconteceu através de registos administrativos, de pedidos de licença, de aprovações que o Estado moçambicano foi concedendo, aparentemente sem uma visão estratégica integrada sobre o que estava a ser cedido e a quem.

O convite de Pequim, em Abril de 2026, foi o culminar visível de um processo que já estava, em grande medida, consumado nos bastidores.

  1. A Visita de Chapo à China: Diplomacia ou Formalização?

A visita de Estado de Daniel Chapo à China, de 17 a 22 de Abril de 2026, foi amplamente noticiada como um momento de abertura, de novo impulso nas relações bilaterais, de “nova fase de cooperação económica assente em investimentos concretos, parcerias estratégicas e resultados mensuráveis”, para usar as palavras do próprio Presidente. Os acordos assinados abrangeram cooperação em defesa, mapeamento geológico de grande escala, investimento industrial e de forma central, o sector mineiro.

O comunicado conjunto resultante da visita falou de “minerais críticos essenciais para a transição global para a energia verde”, de compromissos chineses com “uma abordagem completa que combina a avaliação de recursos com o desenvolvimento de infraestruturas locais”, e de reforço da segurança no norte de Moçambique como “camada protectora para os investimentos a longo prazo” que Pequim está a aplicar na região.

Lido à luz dos dados de licenciamento, este comunicado adquire um significado muito diferente do que a sua linguagem diplomática sugere. Quando a China fala de “mapeamento geológico de grande escala” em Moçambique e em particular, Cabo Delgado, está a falar de uma região onde as suas empresas já detêm 31% das licenças de grafite, 100% das de níquel e 84,6% das de cobre. Quando fala de “avaliação de recursos”, está a falar de recursos que as suas empresas já estão a prospectar. Quando fala de “segurança” para proteger investimentos, está a falar de investimentos que já existem, já estão licenciados, já estão no terreno.

A visita de Chapo à China não abriu um capítulo novo. Formalizou e deu cobertura diplomática de alto nível a um capítulo que já estava a ser escrito, página a página, licença a licença, desde pelo menos 2016.

Esta distinção não é meramente semântica. Tem implicações profundas para a forma como os cidadãos moçambicanos, os analistas políticos, a sociedade civil e os parceiros internacionais de Moçambique devem ler a relação entre os dois países. Uma coisa é um Presidente que vai negociar as condições de entrada de um novo parceiro. Outra, muito diferente, é um Presidente que vai legitimar publicamente uma presença que já estava instalada e cujas condições, benefícios para Moçambique e salvaguardas para a soberania nacional permanecem, em grande medida, opacas.

  1. O Problema da Transparência e da Soberania sobre os Recursos

A análise dos dados levanta uma questão que vai muito além da geopolítica das relações sino-moçambicanas: a questão da transparência no licenciamento mineiro e da soberania efectiva de Moçambique sobre os seus recursos naturais.

O primeiro problema é a opacidade na composição accionista das empresas licenciadas. Como demonstrado nos casos da NC Minerals e da Comal e outras, empresas com nomes que não revelam a origem do capital podem deter licenças sobre minerais críticos de enorme valor estratégico e económico. O quadro regulatório moçambicano não exige, de forma sistemática e pública, a identificação dos beneficiários efectivos das concessões mineiras, maioritariamente registas no exterior e em forma de sociedade anonima (S.A). Esta lacuna não é apenas um problema de transparência, é uma vulnerabilidade estrutural que permite que interesses estrangeiros de grande escala operem sem que o Estado, a sociedade civil ou os cidadãos afectados tenham visibilidade plena sobre quem explora o subsolo nacional.

O segundo problema é a ausência de uma estratégia integrada de licenciamento para minerais críticos. Os dados mostram que as licenças de grafite, níquel e cobre foram sendo emitidas ao longo de anos, aparentemente sem um quadro estratégico que definisse limites de concentração por nacionalidade, exigências de processamento local, ou mecanismos de partilha de benefícios com as comunidades de Cabo Delgado. O resultado é que, quando o Presidente vai a Pequim “convidar” investidores chineses, o mercado já estava, em grande medida, capturado por esses mesmos investidores, sem que Moçambique tivesse negociado as condições dessa captura em posição de força.

O terceiro problema é a assimetria de informação entre Moçambique e a China. As empresas chinesas que operam em Cabo Delgado fazem-no no quadro de uma estratégia nacional chinesa coordenada, que inclui mapeamento geológico, inteligência de mercado, apoio diplomático e financeiro do Estado chinês. Moçambique, pelo contrário, licencia individualmente, empresa a empresa, mineral a mineral, sem que exista, pelo menos publicamente uma visão integrada de quem está a adquirir o quê, em que proporção, e com que implicações para a soberania nacional a longo prazo.

Esta assimetria foi bem visível na visita de Abril de 2026: enquanto a delegação chinesa chegou com propostas detalhadas, acordos pré-redigidos e uma agenda clara centrada em recursos específicos, a delegação moçambicana apresentou uma postura de “abertura” e “mobilização de recursos” que, à luz dos dados de licenciamento, soa mais a validação do que a negociação.

  1. O Que Moçambique Ganha e o Que Pode Perder

Seria injusto, e intelectualmente desonesto, ignorar os potenciais benefícios da cooperação sino-moçambicana no sector mineiro. A China tem capacidade de investimento, tecnologia de extracção e processamento, e acesso a mercados que Moçambique, por si só, dificilmente conseguiria mobilizar. Num contexto em que a economia moçambicana atravessa uma pressão fiscal significativa, com uma dívida à China que ascendia, no final de 2025, a mais de 1.300 milhões de dólares, o investimento directo no sector produtivo pode ser visto como uma alavanca para o crescimento.

Mas a questão não é se a China deve ou não investir em Moçambique. A questão é em que condições, com que garantias para Moçambique, e com que nível de transparência e escrutínio público esse investimento é feito.

A história da exploração de recursos naturais em África está repleta de exemplos em que a entrada de capital estrangeiro sem salvaguardas adequadas resultou em enclave económico: a riqueza é extraída, exportada e processada no exterior, enquanto as comunidades locais ficam com os impactos ambientais, a instabilidade social e uma fatia mínima dos benefícios. Cabo Delgado, já fragilizado por anos de conflito armado e deslocamento de populações, é particularmente vulnerável a este modelo.

Os acordos assinados em Pequim falam de “desenvolvimento de infraestruturas locais” e de uma “abordagem que combina avaliação de recursos com industrialização local”. Mas estes compromissos são, por enquanto, declarações de intenção. O que existe concretamente, documentado e verificável, são 20 licenças activas em mãos chinesas ou sino-moçambicanas, cobrindo 100% do níquel e 84,6% do cobre da província, sem que o público moçambicano saiba, com precisão, quais os royalties negociados, quais os compromissos de emprego local, quais as exigências de transformação em território nacional, e quais os mecanismos de fiscalização e responsabilização.

A soberania sobre os recursos naturais não se mede apenas pela titularidade formal das licenças. Mede-se pela capacidade efectiva do Estado de impor condições, fiscalizar o cumprimento, capturar valor e redistribuí-lo em benefício da população. E essa soberania substantiva é difícil de exercer quando a posição negocial do Estado foi, ao longo de anos, sendo cedida licença a licença, sem estratégia visível e sem debate público.

  1. A Geopolítica dos Minerais e o Lugar de Moçambique

O contexto global em que tudo isto ocorre é o de uma competição geopolítica sem precedentes pelo controlo das cadeias de abastecimento de minerais críticos. Os Estados Unidos, a União Europeia, o Japão, a Austrália e outros países ocidentais despertaram, nos últimos anos, para o risco de dependência face à China no acesso a estes minerais, e lançaram iniciativas para diversificar as suas fontes de abastecimento, o que inclui olhar para Moçambique com um interesse crescente.

A participação americana na mina de grafite do distrito de Balama, em Cabo Delgado, através da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA, é um sinal claro desse interesse. A Europa, com a sua Estratégia de Matérias-Primas Críticas aprovada em 2023 (Direção-Geral da Economia, 20/03/2023), também está activamente à procura de parcerias com países africanos ricos em minerais estratégicos. Moçambique encontra-se, portanto, no epicentro de uma competição geopolítica em que tanto a China como o Ocidente têm interesse em garantir posições.

Esta posição poderia ser uma vantagem enorme para Moçambique, se o país soubesse aproveitá-la. Um Estado que negocia com múltiplos parceiros em simultâneo, que estabelece condições claras e aplica-as de forma consistente, que exige processamento local e transferência de tecnologia, pode transformar a sua riqueza mineral em desenvolvimento genuíno. Um Estado que vai a Pequim legitimar uma presença que já está instalada, sem ter negociado condições em posição de força, arrisca perder essa janela de oportunidade.

O momento actual com a China já fortemente posicionada nos minerais críticos de Cabo Delgado e o Ocidente a procurar alternativas é, paradoxalmente, um momento de poder para Moçambique, se for usado com inteligência estratégica. Mas usar esse poder requer, primeiro, reconhecer o estado real das coisas: e o estado real das coisas é que 100% das licenças de níquel e 85% das de cobre já estão em mãos com participação chinesa.

Reconhecer isso não é ser anti-China. É ser pró-Moçambique.

 

Conclusão

Há uma frase que circula nos meios de análise geopolítica africana e que se aplica com precisão cirúrgica ao caso em análise: “Os acordos mais importantes não são os que se assinam em cimeiras. São os que se assinam em secretarias.”

Os dados de licenciamento mineiro em vigor em Cabo Delgado demonstram que, no que respeita à presença chinesa nos minerais críticos da província, os acordos das secretarias precederam em anos os acordos dos palácios presidenciais. Quando Daniel Chapo aterrou em Pequim em Abril de 2026 para falar de mineração, cooperação e desenvolvimento, as empresas chinesas e sino-moçambicanas já detinham 31% das licenças de grafite, 100% das de níquel e 84,6% das de cobre em Cabo Delgado. Já estavam no terreno, já estavam a prospectar, já estavam a preparar o que virá a seguir.

A visita foi importante, toda a diplomacia de alto nível tem o seu valor. Mas ela não representou uma abertura. Representou uma formalização. E há uma diferença fundamental entre as duas coisas.

Uma abertura pressupõe negociação de condições, avaliação de alternativas, exercício de poder negocial. Uma formalização pressupõe reconhecer o que já existe e dar-lhe o selo do protocolo diplomático. Moçambique estava, neste caso, a fazer a segunda coisa, sem que o debate público, a Assembleia da República, a sociedade civil ou as comunidades de Cabo Delgado tivessem sido devidamente informados e envolvidos no processo.

O título deste artigo – Títulos Mineiros Antes dos Acordos, não é uma provocação. É uma descrição factual da sequência dos acontecimentos. As licenças foram primeiro. Os acordos vieram depois. E entre as duas coisas, há uma pergunta que Moçambique ainda não respondeu com suficiente clareza: que contrapartidas concretas, mensuráveis e vinculativas obteve o país em troca do acesso ao seu subsolo?

Enquanto essa pergunta não tiver resposta pública, transparente e verificável, a narrativa do “convite” continuará a ser mais uma história bonita do que uma política de desenvolvimento. E Cabo Delgado, a sua grafite, o seu níquel, o seu cobre, o seu futuro merece muito mais do que histórias bonitas.

 

Referências

Barbiéri, L., F. e Balza, G. (04/05/2026). Terras Raras: relator propõe fundo com participação da União e incentivo fiscal para processar minério no país. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/05/04/terras-raras-relator-propoe-fundo-com-participacao-do-governo-e-incentivo-fiscal-para-processar-minerio-no-pais.ghtml.

Direção-geral da Economia. (20/03/2023). Ato das Matérias-Primas Críticas. Disponível em: https://dgeconomia.gov.pt/comunicacao/destaques/ato-das-materias-primas-criticas.aspx.

Lima, L., S. (2015). Ânodo. Rev. Ciência Elem., V3(01):017. Disponível em: https://rce.casadasciencias.org/rceapp/pdf/2015/017/.

Metalurgia. (19/08/2021). Níquel e suas principais aplicações. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dhSr4lKyXtg&t=6s.

Wikipédia (28/02/2026). Vanádio. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Van%C3%A1dio.

_____________________(08/02/2026). Titânio. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tit%C3%A2nio.

Xinhua Português. (21/04/2026). Moçambique espera mais cooperações em infraestruturas com China no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota, diz presidente moçambicano. Disponível em: https://portuguese.xinhuanet.com/20260421/90063b4148584bcf9e05c8b85d12f6c4/c.html.

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